AR 802

Emanuel Swedenborg
Obra: Apocalipse Revelado
Em que são desvendados os arcanos preditos no Apocalipse, e que ficaram ocultos até o tempo presente

Texto

. Foi dito que por essa Religiosidade, que se entende pela "cidade de Babilônia", há a adulteração e a profanação de toda a verdade da Palavra e, conseqüentemente, de todas as coisas santas da Igreja; e, nas coisas que precedem, mostrou-se muitas vezes que essa Religiosidade não somente adulterou os bens e as verdades da Palavra, mas também os profanou, pelo que "Babel", na Palavra, significa a profanação do que é santo. Agora será dito como essa profanação foi e é efetuada. Foi dito anteriormente que o amor, derivado do amor de si, de dominar sobre as coisas santas da Igreja e sobre o céu, assim sobre todas as coisas Divinas do Senhor, é o diabo. Agora, porque esse domínio foi estabelecido como fim nas mentes daqueles que fundaram essa Religiosidade, eles não puderam fazer outra coisa senão profanar as coisas santas da Palavra e da Igreja. Suponha-se que esse amor, que é o diabo, se estabeleça interiormente na mente de alguém, como faz todo amor dominante, e se ponha exteriormente diante dos olhos dessa pessoa alguma verdade Divina. Porventura não a dilacerará, não a lançará por terra e não a calcará aos pés, procurando para seu lugar uma falsidade que concorde consigo mesmo? 0 amor de possuir todas as coisas do mundo é satanás, e o diabo e satanás fazem um, como conjugados por aliança, (de modo que) o amor de uni está no amor do outro. Por esta explicação, pode-se concluir de onde vem que por "Babilônia", na Palavra, é significada a profanação.
Seja um exemplo: Ponha-se diante desse amor, que é o diabo, esta Divina verdade, que somente o Deus único deve ser cultuado e adorado, e não homem algum e que, assim, o vicariato é uma invenção e uma impostura e deve ser rejeitado. Semelhantemente esta verdade, que invocar homens mortos, prostrar-se diante de suas imagens, beijá-las e beijar seus ossos, (tudo isso) é mera e vergonhosa prática idolátrica, que também deve ser rejeitada. Porventura esse amor, que é o diabo, não rejeitará com a veemência de sua ira essas duas verdades, não as fulminará e não as dilacerará?
Mas se alguém dissesse a esse amor, que é o diabo, que abrir e fechar o céu, ou desligar e ligar, conseqüentemente perdoar pecados, o que é a mesma coisa que reformar e regenerar, por conseguinte redimir e salvar o homem; (se dissesse que isso) é puramente atribuição Divina, e que o homem não pode, sem profanação, arrogar-se divindade alguma, como Pedro não se atribuiu divindade alguma e, por conseguinte, não exerceu coisa alguma semelhante; (se dissesse), além disso, que a sucessão é uma invenção daquele amor, como também a transferência do Espírito Santo de um homem para outro homem; tal amor, que é o diabo, ao ouvir tais palavras, não fulminaria com anátemas quem assim falasse e, em seu furor ardente, não o mandaria entregar ao inquisidor e não o lançaria em uma cela de condenado?
Se alguém dissesse ainda: Como pode o Divino poder do Senhor ser transferido para vós? Como pode a Divindade do Senhor ser separada de Sua Alma e de Seu Corpo? Não é isso impossível segundo a vossa fé? Como pode Deus Pai pôr Seu Divino Poder no Filho senão em Sua Divindade, que é o receptáculo? Como pode isso ser transferido para um homem como lhe pertencendo? Além de muitas outras coisas. Ouvindo tais palavras, esse amor, que é o diabo, não ficaria interiormente inflamado, não rangeria os dentes e não bradaria: "Lança-o fora, crucifica-o, crucifica-o; saiam, saiam todos, para verem esse grande herético e se distraírem com ele?".

Versão impressa (opcional)

Para estudo mais confortável, você pode adquirir esta obra em formato impresso: ver orientações.

Advento do SENHOR