. (VERSÍCULO 7) REGOZIJEMO-NOS, EXULTEMOS E DEMOS-LHE GLÓRIA, PORQUE VIERAM AS NÚPCIAS DO CORDEIRO. Significa a alegria de alma e de coração e, por conseguinte, a glorificação do Senhor, porque desde agora se faz o completo casamento do Senhor com a Igreja, Por "regozijar-se e exultar" é significada a alegria da alma e do coração; a alegria da alma é a alegria do entendimento ou segundo as verdades da fé, e a alegria do coração é a alegria da vontade ou segundo os bens do amor; essas duas expressões são empregadas por causa do casamento da verdade e do bem em cada coisa da Palavra, de que se trata nos nºs 373 e 689. Por "dar-Lhe glória" é significado reconhecer e confessar que toda a verdade vem do Senhor (nº 629) e também reconhecer que o Senhor é o Deus do céu e da terra (nº 693); aqui, pois, é significado glorificar, porque isso envolve ambas as coisas. Por "porque vieram as núpcias do Cordeiro" é significado porque desde agora se faz o completo casamento do Senhor e da Igreja. Para que isso seja significado, diz-se "o Cordeiro", e pelo "Cordeiro" é entendido o Senhor quanto ao Divino Humano (nºs 269 e 291). Que, quando o Humano do Senhor é reconhecido como Divino, o completo casamento do Senhor e da Igreja se efetua, pode-se compreender quase sem explicação, pois é sabido no mundo cristão dos Reformados que a Igreja é Igreja por causa do casamento do Senhor com ela, porque o Senhor é chamado dono da vinha e a Igreja é a vinha e também porque o Senhor é chamado noivo e marido e a Igreja é chamada noiva e mulher. Que o Senhor seja chamado noivo e a Igreja noiva, vê-se no nº 797. Que há completo casamento do Senhor e da Igreja, quando o Humano do Senhor é reconhecido Divino, é evidente, pois então Deus Pai e Ele são reconhecidos um como a alma e o corpo. Quando isto é reconhecido, (ninguém) se dirige ao Pai por causa do Filho, mas se dirige ao Senhor Mesmo e, por Ele, a Deus Pai, porque o Pai está n'Ele como a, alma no corpo, como já foi dito. Antes de o Humano do Senhor ser reconhecido Divino é verdade que há casamento do Senhor com a Igreja, mas somente entre os que se dirigem ao Senhor o pensam em Seu Divino, e não cogitam de forme alguma se Seu Humano é Divino ou não. Assim fazem os simples de fé e de coração e raramente os sábios o eruditos. E além disso não é possível dar três maridos a uma esposa nem três almas a um corpo. Portanto, a menos que se reconheça Um Só Deus, em Quem está a Trindade, e que esse Deus é o Senhor, não pode haver casamento. Que esse casamento se faz desde agora é porque ele não pôde ser feito plenamente senão depois que, no mundo espiritual, os Babilônios foram separados pelo Juízo Final, e também os Filisteus, que são os que professam a fé só. E, como precedentemente se tratou de sua separação, diz-se "desde agora". Que há núpcias da Igreja com o Senhor, podo-se ver pelas seguintes passagens: "Jesus disse: Os filhos das núpcias não podem jejuar enquanto o noivo estiver com eles" (Mateus 9; 15 - Marcos, 11; 19); "O reino dos céus é semelhante a um homem, um rei, que fez as núpcias de seu filho e mandou os servos para convidar para as núpcias" (Mateus 22; 1 a 14); "0 reino dos céus é semelhante a dez virgens que saíram ao encontro do noivo; as cinco dentre elas que estavam prontas entraram em núpcias com o Noivo" (Mateus 25; 1 a 12). Que aqui o Senhor designou a Si Mesmo é evidente pelo versículo 13, seguinte, onde se diz: ''Vigiei, pois não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do Homem virá" (Mateus 25; 13). E em outro lugar: "Sejam vossos lombos cingidos e vossas lâmpadas acesas, e sede vós semelhantes àqueles que esperam o seu senhor, quando vier das núpcias" (Lucas 12; 35 e 36).