. MAS SERÃO SACERDOTES DE DEUS E DE CRISTO. Significa porque eles são mantidos pelo Senhor no bem do amor e, por conseguinte, nas verdades da sabedoria. Pelos "sacerdotes" na Palavra se entendem os que estão no bem do amor e pelos "reis" os que estão nas verdades da sabedoria; por Isso, é dito anteriormente: "Jesus Cristo fez-rios reis e sacerdotes" (Apocalipse 1; 6). E também: "0 Cordeiro fez-nos reis e sacerdotes, para que reinernos sobre a terra" (Apocalipse 5; 10). E pode ver-se claramente que o Senhor não fará os homens reis e sacerdotes, mas que tornará anjos aqueles que por Ele estiverem nas verdades da sabedoria e no bem do amor. Que pelos "reis" se entendem aqueles que estão nas verdades da sabedoria pelo Senhor, e que o Senhor é chamado "Rei'' por ser a Divina Verdade, vê-se nos n 20, 483, 664 e 830. E que pelos "sacerdotes" se entendem aqueles que estão no bem do amor pelo Senhor é porque o Senhor é o Divino Amor e a Divina Sabedoria ou, o que é a mesma coisa, é o Divino Bem e a Divina Verdade. 0 Senhor por ser o Divino Amor ou o Divino Bem é chamado "Sacerdote" e por ser a Divina Sabedoria ou a Divina Verdade é chamado "Rei". É por isso que há dois reinos em que os céus foram discriminados, o celeste e o espiritual. O reino celeste é chamado Reino Sacerdotal do Senhor, porque os anjos lá são recipientes do Divino Amor ou Divino Bem procedente do Senhor; e o reino espiritual é chamado Reino Régio do Senhor, porque os anjos lá são recipientes da Divina Sabedoria ou Divina Verdade procedente do Senhor.Mas,para mais particularidades sobre esses dois reinos, veja-se nos nºs 647 e 725. Diz-se que eles são recipientes do Divino Bem e da Divina Verdade procedentes do Senhor, mas cumpre saber que eles são perpetuamente recipientes, pois o Divino Bem e a Divina Verdade não podem ser apropriados por qualquer anjo ou por qualquer homem ao ponto de lhes pertencerem; (são recebidos) para somente aparecerem como sendo deles, pois são Divinos. Por isso, não pode algum anjo ou homem produzir, por si próprio, bem algum ou verdade alguma que, em si, sejam bem e verdade, pelo que é evidente que eles são mantidos no bem e na verdade pelo Senhor e assim mantidos continuamente. Conseqüentemente, se alguém entra no céu e pensa que o bem e a verdade são apropriados como seus, logo é despedido do céu e instruído. Por essas considerações pode-se ver agora que por "serão sacerdotes de Deus e de Cristo" é significado porque eles são mantidos pelo Senhor no bem do amor e, por conseguinte, nas verdades da sabedoria. Que pelos "sacerdotes", na Palavra, se entendem aqueles que estão no bem do amor procedente do Senhor, pode-se ver por muitas passagens ali; e, como essas passagens, "foram citadas no livro ARCANOS CELESTES, publicado em Londres, desejo somente referir dessa obra o que nela se contém (sobre os sacerdotes e o sacerdócio), a saber: Que os sacerdotes representaram o Senhor quanto ao Divino Bem (nºs 2015 e 6148); Que o sacerdócio era o representativo do Senhor quanto à obra da salvação, porque esta procedia do Divino Bem de Seu Divino Amor (nº 9809); Que o sacerdócio de Aharão, de seus filhos e dos levitas era o representativo da obra de salvação do Senhor na ordem sucessiva (nº 10017); Que, portanto, pelos sacerdotes e pelo sacerdócio é significado o bem do amor procedente do Senhor (nºs 9806 e 9809); Que pelos dois nomes, Jesus e Cristo, são significadas a ação sacerdotal e a ação de rei, exercidas pelo Senhor (n 30O4, 3005 e 3009); Que os sacerdotes devem administrar as coisas eclesiásticas e os reis as coisas civis (nº 10793); Que os sacerdotes devem ensinar as verdades e pelas verdades conduzir ao bem e, assim, ao Senhor (nº 10794); Que eles não reivindicarão para si direito sobre as almas dos homens (nº 10795); Que haverá respeito pelos sacerdotes por causa das coisas santas, mas eles não atribuirão a dignidade a si mesmos, mas ao Senhor Só, de Quem procedem as coisas santas, porque o sacerdócio não está na pessoa, mas é adjunto à pessoa (nºs 10796 e 10797); Que os sacerdotes que não reconhecem o Senhor significam, na Palavra, coisas contrárias (nº 3670).