Texto
. Que por "Gog e Magog" são significados aqueles que estão no culto externo e não em culto interno algum, pode-se ver pelo capítulo 38 de Ezequiel, onde se trata de Gog do começo ao fim, e pelo capítulo 39 (versículos 1 a 16). Mas que eles (os que estão no culto externo) são significados por "Gog e Magog" não é claramente evidente ali, senão por meio do sentido espiritual. Como esse sentido me foi revelado, ele será explicado. Primeiramente, (será explicado) o que significam as coisas contidas nesses dois capítulos. No capítulo 38 de Ezequiel, há as seguintes (significações): Trata-se daqueles que estão no sentido da letra da Palavra somente, e, conseqüentemente, em um culto que é externo sem o interno; eles são Gog (versículos 1 e 2); Que todas e cada uma das coisas desse culto (coletivamente e separadamente) perecerão (versículos 3 a 7); Que esse culto se apoderará da Igreja , devastá-la-á e assim ela estará nos externos sem os internos (versículos 8 a 16); Que, conseqüentemente, o estado da Igreja será mudado (versículos 17 a 19); Que, por conseguinte, as verdades e os bens da religião perecerão, e as falsidades os sucederão (versículos 20 a 23).
No capítulo 39 do mesmo profeta, há as seguintes (significações):
Sobre aqueles que estão no sentido da letra da Palavra somente e no culto externo e que virão para a Igreja; eles são Gog, mas perecerão (versículos 1 a 6); Que isto acontece quando o Senhor vem e instaura a Igreja (versículos 7 e 8); Que essa Igreja então dispersará todos os seus males e todas as suas falsidades (versículos 9 e 10); Que ela os destruirá inteiramente (versículos 11 a 16); Que a Nova Igreja a ser instaurada pelo Senhor será instruída nas verdades e nos bens de todo o gênero e será dotada dos bens de todo o gênero (versículos 17 a 21); Também que a precedente Igreja será destruída por causa dos males e das falsidades (versículos 23 e 24); Que então a Igreja será a reunião de todas as nações pelo Senhor (versículos 25 a 29).
Mas será dita alguma coisa sobre aqueles que estão no culto externo sem o culto interno espiritual. São aqueles que freqüentam os templos nos sábados (domingos) e dias de festas, então cantam salmos e rezam, ouvem os sermões e então prestam atenção à eloqüência, mas pouca atenção ao assunto, se é que prestam alguma; ficam um tanto comovidos com as preces enunciadas com afeição, relacionadas com seus pecados, e nada refletem sobre si mesmos e sobre sua vida. Eles participam, cada ano, do sacramento da Santa Ceia; fazem suas preces de manhã e de noite; oram também nos jantares e nas ceias; às vezes, têm também conversações sobre Deus, sobre o céu e sobre a vida eterna e, então sabem citar também algumas passagens da Palavra e fingir que são cristãos, apesar de não o serem, porque, depois de terem feito tais coisas, eles consideram como nada os adultérios e as obscenidades, as vinganças e os ódios, os furtos clandestinos e as depredações, as mentiras e as blasfêmias, as concupiscências e as intenções de males de todo gênero. Aqueles que são tais não crêem em Deus algum, muito menos no Senhor. Se forem interrogados sobre o bem e a verdade, nada sabem, e pensam que não é importante sabê-lo. Em uma palavra, eles vivem para si próprios e para o mundo, assim para sua inclinação e para o corpo e não para Deus e para o próximo, por conseguinte não para o espírito nem para a alma.
Por essas considerações, é evidente que o culto deles é um culto externo sem o culto interno. Eles também são inclinados à receber o dogma herético da fé só, principalmente quando ouvem que o homem não pode fazer o bem por si próprio e que eles não estão sob o jugo da Lei- Daí vem que se diz que "o dragão sairá para seduzir as nações, Gog e Magog". Por "Gog e Magog" na língua hebraica é também significado teto e soalho, que é o externo.