Texto
. Ao que precede, acrescentarei este MEMORÁVEL.
Enquanto me ocupava com a explicação do Capítulo vigésimo e meditava sobre o dragão, a besta e o falso profeta, apareceu alguém e perguntou: "Sobre que estás meditando?" E eu lhe disse: "Sobre o falso profeta".
Então disse-me: "Vou levar-te para um lugar, onde habitam, os que se entendem pelo falso profeta." Disse que eles são os mesmos que se entendem, no Capítulo 13, pela "besta subindo da terra, que tinha dois chifres semelhantes aos do Cordeiro e que falava como o dragão".
Eu o segui e eis que vi uma multidão no meio da qual estavam sacerdotes que tinham ensinado que nada salva o homem a não ser a fé, que as obras são boas mas não para a salvação, e devem, contudo, ser ensinadas de acordo com a Palavra, para que os leigos, principalmente os simples, sejam mantidos mais rigorosamente nos vínculos da obediência para com os magistrados, assim guiados pela religião interiormente, a fim de exercerem a caridade moral.
Então, um deles, ao ver-me disse: "Queres ver o nosso templo, no qual está a imagem representativa de nossa fé?".
Aproximei-me e vi, e eis que ele era magnífico, e no meio a imagem de uma mulher, trajando uma vestimenta escarlate, tendo na mão direita uma moeda de ouro e na esquerda uma cadeia de pérolas. Mas, tanto o templo como a imagem eram o resultado de uma fantasia, pois os espíritos infernais podem por fantasias representar coisas magníficas, fechando os interiores da mente e abrindo somente os exteriores. Como percebi, porém, que eram meras fantasias, orei ao Senhor e imediatamente os interiores de minha mente se abriram, e, então vi, em lugar de um templo magnífico, uma casa esburacada desde o teto até em baixo, em que nada havia de coerência; e, em lugar da mulher, vi, nessa casa, uma aparição suspensa, cuja cabeça era semelhante à de um dragão, cujo corpo era semelhante ao de um leopardo e os pés como os de um urso, como é descrita "a besta subindo do mar" (Apocalipse 13; 2); e, em vez de um terreno sólido, havia um charco cheio de rãs; e foi-me dito que debaixo desse charco havia uma grande pedra talhada, sob a qual a Palavra estava bem escondida.
Depois de ter visto isso, eu disse ao visionário: "É esse o vosso templo?", e ele disse que era.
Então, sua vista interior foi subitamente aberta, e ele viu as mesmas coisas que eu vi. Ao vê-ias, ele exclamou com grande voz: "Que é isso? De onde vêm tais coisas?"
E eu disse que era o efeito da luz do céu, que descobre a qualidade de cada forma, acrescentando: "Aqui a qualidade de vossa fé separada da caridade espiritual".
E no mesmo instante, soprou um vento oriental e levou tudo o que lá estava, também secou o charco, pondo, assim, a descoberto a pedra sob a qual estava a Palavra. Depois disso, aspirou-se um calor como primaveril vindo do céu e eis que se viu então, no mesmo lugar, um tabernáculo simples em sua forma externa.
E os anjos que estavam comigo disseram: "Eis o tabernáculo de Abrahão, tal qual ele era quando os três anjos vieram ao seu encontro e anunciaram o próximo nascimento de Isaque". Ele aparecia simples diante dos olhos, contudo, de acordo com o influxo da luz do céu, ele se tornava cada vez mais magnífico.
E foi-lhes permitida a abertura do céu em que estavam os anjos espirituais que se encontram na sabedoria; e, então, pela luz que dai fluía, aparecia esse tabernáculo como um templo semelhante ao de Jerusalém. Quando eu o examinei no interior, vi a pedra do fundo, sob a qual a Palavra tinha sido depositada. Ela estava circundada por pedras preciosas, das quais uma espécie de luz se projetava sobre as paredes e com formas de querubins sobre elas, os quais eram belamente coloridos com cores variegadas.
Enquanto eu admirava essas coisas, disseram os anjos: "Verás coisas mais maravilhosas ainda." E foi-lhes permitido abrir o terceiro céu, em que se encontravam os anjos celestes que estão no amor. E então, em virtude da luz que de lá fluía, todo o templo se dissipou e, em seu lugar, foi visto o Senhor Só, de pé sobre a pedra do fundo, que era a Palavra, em aparência semelhante à que foi vista por João (Apocalipse, capítulo 1). Mas como, então, a santidade encheu os interiores das mentes dos anjos, de que resultou eles se prostrarem sobre suas faces, o fluxo de luz que vinha do terceiro céu foi logo fechado pelo Senhor, e a passagem da luz vinda do segundo céu foi aberta, em conseqüência do que voltou o aspecto anterior do templo, e também, o do tabernáculo, mas este no meio do templo.
Por essas mudanças, foi ilustrado o que se entende neste capítulo por estas palavras (versículo 3): "Eis o tabernáculo de Deus com os homens e Ele habitará com eles" (nº 882).
E por estas (versículo 22): "Não vi templo na Nova Jerusalém, porque o Senhor Deus Todo-Poderoso é o seu templo e o Cordeiro" (nº 918).