Texto
. (VERSÍCULO 2) NO MEIO DA PRAÇA E DO RIO AQUÉM E ALÉM, ESTA A ARVORE DA VIDA, QUE PRODUZ DOZE FRUTOS. Significa que, nos íntimos das verdades da doutrina e, conseqüentemente, da vida na (Nova) Igreja, está o Senhor em Seu Divino Amor, de Quem fluem todos os bens que o homem nela faz aparentemente como por si mesmo. Por "no meio" é significado no íntimo e, por conseguinte, em todas as coisas ao redor (nºs 44 e 383). Pela "praça" é significada a verdade da doutrina da Igreja (nºs 501 e 917). Pelo "rio" é significada a Divina Verdade em abundância (nºs 409 e 932); "aquém e além" significa à direita e à esquerda, e a verdade à direita é aquela que está na claridade, e a verdade à esquerda é aquela que está na obscuridade, pois o sul no céu, pelo qual é significada a verdade na claridade, está à direita, e o norte do céu, pelo qual é significada a verdade na obscuridade, está à esquerda (nº 901). Pela "árvore da vida" é significado o Senhor quanto ao Divino Amor (nº 89). Pelos "frutos" são significados os bens do amor e da caridade, que são chamados as boas obras, e serão tratados no número seguinte. Por "doze" são significadas todas as coisas e é dito dos bens e verdades da Igreja (nº 348). Dessas significações reunidas em um só sentido, segue-se que por "no meio da praça e do rio aquém e além está a árvore da vida, que produz doze frutos", é significado que, nos íntimos das verdades da doutrina e, conseqüentemente, da vida na Nova Igreja está o Senhor em Seu Divino Amor, de Quem, fluem todos os bens que o homem faz aparentemente como por si mesmo. Isto ocorre com aqueles que se dirigem diretamente ao Senhor e fogem dos males porque são pecados, assim com aqueles que estão na Nova Igreja do Senhor, que é a Nova Jerusalém, pois aqueles que não se dirigem diretamente ao Senhor não podem estar conjuntos com Ele nem, por conseguinte, com o Pai e, conseqüentemente, não podem estar no amor que procede do Divino. Pois a visibilidade conjunge, não uma visibilidade unicamente intelectual, mas uma visibilidade intelectual proveniente da afeição da vontade, e uma afeição da vontade não é dada a menos que o homem pratique os preceitos do Senhor. Por isso, o Senhor diz: "Aquele que guarda os Meus preceitos esse é o que Me ama, e Eu virei a ele e farei morada nele" (João 14, 21 a 24).
É dito "nos íntimos das verdades da doutrina e, conseqüentemente, da vida na Nova Igreja", porque, nas coisas espirituais, todas as coisas existem e procedem do íntimo, como o fogo e a luz (saindo) do centro para as periferias, e como o sol, que também está no centro, emitindo calor e luz para o universo. 0 mesmo ocorre com as mínimas coisas e as máximas. Como o íntimo de toda a verdade é significado, por isso é dito "no meio da praça e do rio" e não "em cada lado do rio", ainda que se entenda isso. Quando o Senhor está nos íntimos, por Ele existem e d'Ele procedem todos os bens do amor e da caridade, como é evidente por Suas palavras em João, "Jesus disse: Como o ramo não pode produzir fruto de si mesmo se não permanecer na videira, assim também vós, se não estiverdes em Mim. Eu sou a videira, vós os ramos. Quem permanecer em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto, porque sem Mim nada podeis fazer" (João 15; 4 e 5).