. A caridade não pode ser conjunta com a fé da igreja de hoje, e por conseguinte uma boa obra não pode nascer de algum casamento com, esta fé, porque a imputação enche todas as coisas. Ela remete as transgressões, justifica, regenera, santifica e dá a vida do céu e assim a salvação, e isso gratuitamente sem nenhuma obra do homem. Que seria então a caridade, cujo casamento deve ter lugar com a fé, senão uma coisa supérflua e vã, senão um acessório e um, penhor dá imputação e da justificação, que, entretanto, nada de valor tem. Ainda mais, a fé fundada sobre a idéia de três Deuses é errônea, (como se mostrou nºs 39, 40) e a caridade, que em si é a caridade, não pode ser ligada a uma fé errônea. Crê-se que não existe laço entre essa fé e a caridade por duas razões. A primeira: porque eles tornam a sua fé espiritual, enquanto eles tornam a caridade natural-moral, pensando que não existe conjunção alguma do espiritual com o natural. A segunda razão: porque eles temem que, em sua fé unicamente salvifica, influa alguma coisa do homem, e por conseguinte alguma coisa do mérito. Além disso, não existe laço da caridade com essa fé; mas existe um com a fé nova, que será exposta no apêndice deste livro, (nºs 116, 117).