BREVE ANÁLISE Hoje não se crê em outra salvação exceto na salvação instantânea pela misericórdia imediata. Isso é claro pela crença que toda a obra da salvação se cumpre pela fé só da boca e ao mesmo tempo por uma confiança dos pulmões, e não ao mesmo tempo pela caridade segundo a qual a fé oral se torna real e a confiança dos pulmões se torna a confiança do coração. Se, com efeito, a cooperação que o homem traz como por si mesmo pelos exercícios da caridade é tirada, a cooperação espontânea, que segue por si mesma a fé, se torna uma ação passiva, que é uma palavra frívola. Pois então que necessidade existe além deste meio instantâneo e imediato: "Salva-me, 6 Deus, em consideração da paixão do Teu Filho, que me lavou de meus pecados por Seu sangue, e me apresenta puro, justo e santo diante de Teu trono", essa expressão da boca tendo valor como a semente da justificação, mesmo na última hora da morte, se não foi dito antes? Mas tal salvação instantânea pela misericórdia imediata é hoje uma serpente voando na igreja, e tal dogma destrói a religião, introduz a segurança, e imputa ao Senhor a danação, como se pode ver na obra A Divina Providência, nº 340, publicada em Amsterdã, 1764. (também em Português, Rio de Janeiro, 1969).