. Lê-se em Mateus (Cap. 25: 41 a 43, 46): "Então o Filho do homem dirá aos bodes que estarão à Sua esquerda: Retirai-vos de Mim, pois tive fome e não Me destes de comer; tive sede, e não Me destes de beber; era viajante, e não Me recolhestes; estava nu, e não Me vestistes; estava enfermo e na prisão, e não Me visitastes; e estes irão para a pena eterna". Que aqui pelos bodes e pelas ovelhas não se entendem outros senão os que são designados em Daniel pelo bode e pelo carneiro, é manifestamente claro. Pelos bodes se entendem os que estão na fé justificante de hoje. Isso é evidente pelo fato de que para as ovelhas há enumeração das obras da caridade e que se diz que elas as fizeram e que para os bodes há enumeração das mesmas obras da caridade, e que se diz que eles não as fizeram, e que, por esta razão, eles são danados. Pois, nos que estão na fé justificante de hoje, há omissão das obras, pois eles negam que haja nelas alguma coisa da salvação e da igreja. Quando a caridade é assim afastada, as boas obras, que pertencem à caridade, escapam-se da mente, e se apagam dela de tal modo que elas não ocorrem jamais à lembrança, ou que se não faz mais esforço algum para se lembrar delas pela Lei do Decálogo. Uma regra comum da religião é que quanto mais alguém não quer os bens e, por conseguinte não os faz, tanto mais ele quer os males e, por conseguinte os faz. E também, de modo inverso, quanto mais alguém não quer os males e, por conseguinte os não faz, tanto mais ele quer os bens e por conseguinte os faz. Estes são as ovelhas e aqueles são os bodes. Se todos os maus tivessem sido entendidos pelos bodes, teria havido enumeração, não das obras da caridade que eles não fizeram, mas dos males que eles fizeram.