. BREVE ANÁLISE Aquele que estava assentado sobre o trono, isto é, o Senhor, disse a João estas palavras, quando este viu a Nova Jerusalém descendo de Deus pelo céu. Na proposição seguinte, se demonstrará que pela Nova Jerusalém se entende a Nova Igreja. As falsidades dos dogmas da fé da igreja de hoje devem primeiro ser postas a descoberto e rejeitadas antes que as verdades dos dogmas da Nova Igreja sejam reveladas e recebidas, porque eles não concordam em um só ponto ou em uma só parte. Pois, os dogmas da igreja de hoje estão fundados sobre uma fé, na qual se ignora se há algum essencial da igreja. Os essenciais da igreja, que se conjungern com a fé em um só Deus, são a caridade, as boas obras, a penitência, a vida segundo as leis Divinas. E como essas coisas unidas com a fé afetam e movem a vontade e o pensamento do homem, eles conjungern o homem ao Senhor, e o Senhor ao homem. Ora, como nenhum desses essenciais entra na fé da igreja de hoje no seu começo, que eles chamam o ato da justificação, não é possível se ver de modo algum se essa fé está no homem, ou não, por conseguinte se é alguma coisa, ou somente uma idéia. Eles dizem, com efeito, que o homem nesse ato é como um tronco de árvore ou uma pedra, e que quanto à sua recepção ele não pode na menor coisa querer, nem pensar, nem cooperar nela, nem até dispor-se a ela e preparar-se para ela. (Ver nº 15, c, d). Portanto, como ninguém pode conjecturar, nem, com mais forte razão, saber se essa fé está nele, e assim se ela está pele como uma flor pintada ou como uma flor do campo, ou se ela é como um pássaro que voa além dele! Ou como um pássaro, que faz seu ninho nele, pergunta-se, por quais, indícios ou por quais sinais ele a conhecerá? Se se responde que é segundo a caridade, as boas obras, a penitência e as práticas da lei, que sequem a fé depois da justificação, e que, entretanto, essa fé não tem vínculo algum com, essas coisas, em tal caso devia a gente sagaz inquirir se o que não tem vínculo com a fé pode ser um sinal que a manifeste. Pois essa fé não pode ser conservada nem retida pelas coisas acima nomeadas, (Ver nº 12, m, n). Dali se tira esta conclusão: que na fé de hoje nada há que pertença à Igreja, e que assim essa fé não é coisa alguma, mas somente uma idéia que existe. Ora, como tal é essa fé, com razão que ela deve ser rejeitada, até mesmo ela se rejeita como uma coisa em que não há atributo algum da igreja.