A IMPUTAÇÃO A imputação da justiça ou do mérito do Cristo entra hoje, como alma, em toda a teologia no mundo cristão reformado. A fé, pela imputação, que é o único meio de salvação ali, é chamada justiça perante Deus (ver nº 11 d), e o homem, pela imputação por meio dessa fé, reveste os dons da justiça, como um rei reveste as suas insígnias quando é eleito. Contudo, a imputação somente pela denominação que uma pessoa é justa, não produz efeito. Pois ela influi somente nos ouvidos, e não opera no homem, exceto se a imputação da justiça for também à aplicação da justiça por comunicação e assim por introdução. Isso é uma conseqüência de seus efeitos que se afirma ser a remissão dos pecados, a regeneração, a renovação, a santificação, e assim a salvação. E há mais ainda, porque se diz que por meio dessa fé o Cristo habita no homem e que o Espírito Santo nele opera, e que, por conseguinte os homens não somente são nomeados justos, mas também são justos. "Não somente os dons de Deus, mas também o Cristo e até toda a Santa Trindade, habitam pela fé, nos que são renascidos, como em seus templos." (Ver nº 15 1). E "o homem, tanto quanto à pessoa como quanto às obras, é justo e chamado justo." (nº 14 e). Daí resulta indubitavelmente que pela imputação da justiça do Cristo entende-se a aplicação, e por ela a introdução dessa justiça, pela qual o homem vem a ser participante. Ora, como a imputação é a raiz, o princípio e o fundamento da fé e de todas as operações da fé para a salvação, e como, por conseguinte ela é hoje nos templos cristãos como o santuário e o lugar santo, importa acrescentar aqui sobre a imputação, alguma coisa mais, em forma de corolário, mas isso será feito por, artigos na ordem seguinte: 1)A cada um depois da morte é imputado o mal em que está, e semelhantemente o bem; 2) A introdução do bem de um no outro é impossível; 3) A fé da imputação ou da aplicação da justiça ou do mérito do Cristo, sendo impossível, é uma fé imaginária.