- Depois da deliberação a Primeira Coorte que era do Setentrião, disse "A Alegria Celeste e a Felicidade Eterna são um com a vida mesma do Céu, é por isso que, quem quer que entre no Céu entra quanto à sua vida nas alegrias do Céu, absolutamente do mesmo modo que aquele que entra em uma sala de núpcias, entra nas alegrias que aí se desfrutam; o Céu diante de nossa vista, não está acima de nós, assim, em um lugar? e é lá, e não noutro lugar, que há felicidade sobre felicidade e volúpias sobre volúpias; o homem é introduzido nessas delícias quanto a toda percepção da mente e quanto a toda sensação do corpo segundo a plenitude das alegrias desse lugar, quando é introduzido no Céu; a felicidade celeste, que é eterna também, não é portanto outra cousa senão a admissão no Céu, e admissão pela Graça Divina". Depois que a Primeira Coorte assim falou, a Segunda do Setentrião tirou de sua sabedoria este sentimento: "A Alegria Celeste e a Felicidade Eterna não são outra cousa senão Reuniões muito alegres com os Anjos e Conversações muito agradáveis com eles, pelas quais as fisionomias expandidas são mantidas na alegria, e todas as bocas em risos graciosos, excitadas por palavras agradáveis e assuntos divertidos; e que poderão ser as alegrias celestes, senão as variedades destes prazeres durante a eternidade?" A Terceira Coorte, que era a Primeira dos sábios da Plaga Ocidental, se exprimiu assim segundo os pensamentos de suas afeições: "0 que é a Alegria Celeste e a Felicidade Eterna, senão Banquetes com Abrahão, Isaac e Jacob, em cujas mesas estarão Manjares delicados e rebuscados, e Vinhos generosos e excelentes; e, depois dos repastos, Jogos e Coros de jovens virgens e de homens jovens dançando ao som de sinfonias e de flautas entrecortadas por cânticos, melodiosos; e enfim, à noite, representações teatrais; e, depois destas representações, novos repastos, e assim cada dia, durante a eternidade". Depois a Quarta Coorte, que era a Segunda da Plaga Ocidental, enunciou seu sentimento, dizendo: "Examinamos várias idéias a respeito da Alegria Celeste e da Felicidade Eterna, e exploramos diversas alegrias e as comparamos entre si, e concluímos que as Alegrias Celestes são Alegrias Paradisíacas; o Céu é outra cousa mais do que um Paraíso, que se estende do Oriente ao Ocidente, e do Meio-dia ao Setentrião? No meio destas árvores e destas flores está a magnífica Arvore da Vida, em torno da qual estão assentados os bem-aventurados, alimentando-se de frutas de um sabor delicado, e ornados com grinaldas de flores de um odor muito suave; estas árvores e estas flores sob a influência de uma primavera perpétua nascem e renascem cada dia com uma variedade infinita; e por este nascimento e esta floração perpétuas, e ao mesmo tempo por esta temperatura eternamente primaveril, os espíritos (animi) continuamente renovados não podem deixar de aspirar e respirar Alegrias renovadas cada dia, e assim reentrar na flor da idade, e por isso no estado primitivo, em que Adão e sua esposa foram criados, e por conseqüência ser recolocados em seu Paraíso, transferido da Terra para o Céu". A Quinta Coorte, que era a Primeira dos mais perspicazes em gênio da Plaga Meridional, se exprimiu assim: "As Alegrias Celestes e a Felicidade Eterna não são outra cousa senão Dominações sobre-eminentes e Tesouros imensos, e por conseguinte uma magnificência mais que real, e um esplendor acima de todo brilho; que as Alegrias do Céu, e o gozo dessas alegrias, que é a felicidade eterna, sejam tais, é o que vimos claramente por aqueles que, no Mundo precedente, gozaram dessas vantagens; e, além disso, pelo fato de que os bem-aventurados no Céu devem reinar com o Senhor, e ser reis e príncipes, porque são filhos d'Aquele que é o. Rei dos reis e o Senhor dos senhores, e pelo fato de que estarão sentados em tronos, e os Anjos os servirão. Vimos claramente à magnificência do Céu, pelo fato de que a Nova Jerusalém, pela qual é descrita a glória do Céu, terá portas, cada uma das quais será uma Pérola, e terá Praças de ouro puro, e uma Muralha cuja fundação será de pedras preciosas; que por conseqüência quem quer que tenha sido recebido no Céu tem um Palácio resplandecente de ouro e cousas de um grande preço, e que a Dominação aí passa sucessivamente e em ordem de um a outro; e como sabemos que em semelhantes cousas há alegrias inatas e uma felicidade inerente, e elas são promessas irrevogáveis de Deus, não podemos tirar de outra parte o estado mais feliz da vida celeste". Depois desta Coorte, a Sexta, que, era a Segunda da Plaga Meridional, elevou a voz e disse: "A Alegria do Céu e a Felicidade Eterna não são outra cousa senão uma perpétua glorificação de Deus, uma festa que dura eternamente, e um culto de grande beatitude com cantos e gritos de alegria; e assim uma constante elevação do coração para Deus, com plena confiança na aceitação das preces e dos louvores por esta Divina munificência de beatitude. Alguns desta Coorte ajuntaram que esta Glorificação se fará com magníficas iluminações, com suaves perfumes e pomposas procissões à testa das quais marcharão, com uma grande Trombeta, o soberano Pontífice, seguido dos Primazes e Porta-massas, grandes e pequenos, e atrás deles Homens levando palmas e mulheres tendo estatuetas de ouro nas mãos.