- Em seguida o Anjo se dirigiu aos que se tinham formado da Alegria do Céu e da Felicidade Eterna esta idéia, que eram Banquetes com Abrahão, Isaac e Jacob; e, depois das refeições, jogos e espetáculos, e de novo refeições, e assim durante a eternidade; e lhes disse: "Seguí-me e eu vos introduzirei nas felicidades de vossas alegrias". E os fez entrar, através de um bosque, em um campo coberto por um estrado, sobre o qual haviam colocado mesas, quinze de um lado e quinze do outro; e eles perguntaram: "Por que tantas mesas?" e o Anjo respondeu: "A primeira mesa é a de Abrahão; a segunda, a de Isaac; a terceira, a de Jacob; e perto destas estão em ordem as mesas dos doze Apóstolos; do outro lado estão outras tantas mesas para suas esposas, as três primeiras são as de Sarah esposa de Abrahão, de Rebeca esposa de Isaac, e Leah e Rachel esposas, de Jacob; e as outras doze, as das esposas dos doze apóstolos". Alguns instantes depois, todas as mesas apareceram cobertas de iguarias e os pequenos espaços, entre os pratos, ornados de pequenas pirâmides carregadas de toda espécie de doces. Os que deviam tomar parte no banquete estavam em pé, em torno das mesas, na expectativa de verem chegar os seus Presidentes; depois de alguns momentos de espera, foram vistos entrar em ordem de marcha desde Abrahão até ao último dos Apóstolos; e em seguida cada um deles, se aproximou de sua mesa, colocando-se à cabeceira sobre um leito; e daí, disseram aos que se mantinham em pé em torno: "Tomai lugar também conosco". E eles tomaram lugar com estes Patriarcas, e as mulheres com suas esposas e comeram e beberam com alegria e com veneração. Depois do repasto, estes Patriarcas saíram; e então começaram jogos, danças de moças e rapazes; depois das danças, espetáculos; terminados os espetáculos, os assistentes foram convidados de novo para Festins, mas com este regulamento, que no primeiro dia comeriam com Abrahão, no segundo com Isaac, no terceiro com Jacob, no quarto com Pedro, no quinto com Tiago, no sexto com João, no sétimo com Paulo, e com os outros seguindo a ordem até ao décimo quinto dia, a partir do qual retornariam os festins na mesma ordem, variando de lugares, e assim durante a eternidade. Em seguida o Anjo convocou os homens da Coorte, e lhes disse: "Todos aqueles que vistes nas mesas têm estado em um pensamento imaginário semelhante ao vosso, sobre as Alegrias do Céu e sobre a Felicidade Eterna; e a fim de que vejam por si mesmos a fragilidade de suas idéias e sejam afastados delas, tais cenas de mesas foram instituídas, e permitidas pelo Senhor. Os Presidentes, que vistes à cabeceira das mesas, eram Anciãos desempenhando um papel, a maior parte de origem rústica, que tendo muita barba, e sendo orgulhosos de uma certa opulência acima dos outros, tinham tido a fantasia de que eram antigos Patriarcas. Mas segui-me pelos caminhos que conduzem para fora deste recinto", E eles o seguiram, e viram cinqüenta em um lugar, e cinqüenta em um outro, que se tinham ingurgitado de alimento ao ponto de sentir náuseas, e desejavam voltar para o interior de suas casas, uns a seus empregos, outros a seu comércio, e outros a seu trabalho;, mas um grande número estava retido pelos guardas do bosque, e interrogados sobre os dias de seus repastos, se tinham comido também nas mesas de Pedro e de Paulo; e lhes diziam que se saíssem antes, como isso era contrário à decência, eles seriam cobertos de vergonha. Mas a maior parte respondia: "Estamos saciados de nossas alegrias, as iguarias se nos tornaram insípidas, e o nosso paladar está ressecado, o estômago as desdenha, não podemos mais tocá-las; passamos alguns dias e algumas noites nesta festança; pedimos insistentemente que nos mandem embora". E tendo sido despedidos, fugiram ofegantes, correndo precipitadamente para suas casas. Depois disso o Anjo chamou os homens da Coorte; e em caminho, eis o que lhes ensinou sobre o Céu: "No Céu, do mesmo modo que no Mundo, há Alimentos e Bebidas, há Festins e Banquetes; e lá entre os Principais, há Mesas sobre as quais são servidas iguarias delicadas, cousas gostosas e rebuscadas, pelas quais as mentes exteriores (animi) são alegradas e recreadas; há também Jogos e Espetáculos; há Concertos e Cânticos; e tudo isso na maior perfeição; estas coisas são também alegrias para os Anjos, mas não uma felicidade, esta deve estar nas alegrias, e por conseguinte provir das alegrias; a felicidade nas alegrias faz com que sejam alegrias, as fertiliza e as sustenta, a fim de que não se tornem nem banais nem fastidiosas; e esta felicidade, cada um a possui pelo uso em sua função. Na afeição da vontade de cada Anjo, há uma certa veia escondida; que atrai a mente para fazer alguma cousa, a mente por isso se tranqüiliza e se satisfaz; esta satisfação e esta tranqüilidade tornam o estado da mente suscetível de receber do Senhor o amor do uso; desta recepção vem a Felicidade Celeste que é a vida destas alegrias de que já se falou. A Alimentação celeste, em sua essência, não é outra cousa mais do que o amor, a sabedoria e o uso juntos, isto é, o uso pela sabedoria do amor; é por isso que, no Céu, é dado a cada um o alimento para o corpo segundo o uso que ele tem, suntuoso aos que estão em usos eminentes, medíocre, mas de sabor agradável aos que estão em um uso de grau médio, e vil aos que estão em um uso vil, mas não é dado aos preguiçosos.
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