- Entretanto é preciso que se saiba que o homem depois da morte não é homem natural, mas é homem espiritual, e não obstante lhe parece que é absolutamente semelhante, e de tal modo semelhante que não pode deixar de crer que está ainda no Mundo natural; pois tem um corpo semelhante, uma linguagem semelhante e sentidos semelhantes, porque tem uma afeição semelhante, ou uma vontade semelhante; é verdade que na realidade ele não é semelhante, porque é espiritual, e por conseguinte homem interior; mas a diferença não se manifesta, a ele, porque não pode comparar seu estado com seu precedente estado natural, pois foi despojado deste, e está naquele; é por isso que muito freqüentemente ouvi Espíritos dizerem que não sabem outra cousa senão que estão no Mundo precedente, com esta única diferença que não vêem mais aqueles que deixaram nesse Mundo, mas vêem aqueles que saíram desse Mundo ou que estão mortos, ora, se então vêem estes e não aqueles, é porque não são homens naturais, mas homens espirituais ou substanciais, e o homem espiritual ou substancial vê o homem espiritual ou substancial, como o homem natural ou material vê o homem natural ou material, mas não vice-versa, por causa da diferença entre o substancial e o material, que é como a diferença entre o anterior e o posterior; ora, o anterior, sendo em si mesmo mais puro, não pode aparecer ao posterior que é em si mesmo mais grosseiro, e o posterior, sendo em si mesmo mais grosseiro, não pode tampouco aparecer ao anterior que é em si mesmo mais, puro; por conseqüência o Anjo não pode aparecer ao homem deste Mundo, nem o homem deste mundo ao Anjo. Se o homem após a morte é homem espiritual ou substancial, é porque este homem espiritual estava interiormente escondido no homem natural ou material; este era para ele como uma vestimenta, ou como um invólucro, o qual sendo despido, o homem espiritual ou substancial sai, assim mais puro, interior e mais perfeito. Que o homem espiritual seja não obstante um homem perfeito, ainda que não seja visível pelo homem natural, é o que foi claramente manifestado pelo Senhor, quando foi visto pelos Apóstolos após a ressurreição, em que apareceu e pouco depois desapareceu, e entretanto era homem semelhante a Si Mesmo quando foi visto e quando não foi mais visto; os Apóstolos disseram também que, quando 0 viram, seus olhos tinham sido abertos.
Download
Versão Impressa
Para estudo mais confortável, adquira esta obra em formato impresso.