CL &130

O Amor Conjugal
Emanuel Swedenborg
As Delicias da Sabedoria sobre o Amor Conjugal e as Volupias da Loucura sobre o Amor Escortatório

- XI. O Amor Conjugal é segundo o estado da Igreja, porque é segundo o estado da Sabedoria no homem.
Que o Amor conjugal seja segundo o estado da Sabedoria no homem, isso já foi dito muitas vezes e será dito muitas vezes em seguida; aqui portanto será mostrado com clareza o que é a Sabedoria, e que a Sabedoria faz um com a Igreja: "No homem há a Ciência, a Inteligência e a Sabedoria; a Ciência pertence aos conhecimentos, a Inteligência à razão, e a Sabedoria à vida; a Sabedoria, considerada em seu plano, pertence ao mesmo tempo aos conhecimentos, à razão e à vida; os Conhecimentos precedem, a Razão é formada por eles, e a Sabedoria o é por aqueles e por esta; e então se vive racionalmente segundo as verdades que são os conhecimentos; a Sabedoria pertence portanto à razão e à vida ao mesmo tempo, e se torna Sabedoria quando pertence à razão e em conseqüência à vida, mas é Sabedoria quando chega a pertencer à vida e em conseqüência à razão. Os Antiqüíssimos, neste Mundo, não reconheceram outra Sabedoria senão a sabedoria da vida; esta era a sabedoria daqueles que outrora eram chamados Sophi (sábios); mas, depois destes Antiqüíssimos, os Antigos reconheceram como sabedoria a sabedoria da razão, e estes foram chamados Filósofos; hoje, entretanto, muitos chamam mesmo sabedoria a ciência; pois os doutos, os eruditos, e os semi-sábios (scie) são chamados sábios; assim do cume de sua montanha, a Sabedoria caiu em seu vale. Quanto ao que é a Sabedoria em seu nascimento, em seu progresso e, em conseqüência, em seu estado pleno, também se falará disso em algumas palavras. As cousas que concernem à Igreja, e são chamadas Espirituais, residem nos íntimos do homem; as que concernem à República, e são chamadas Civis, têm seu lugar abaixo; e as que concernem à ciência, à experiência, e à arte, e são chamadas Naturais, constituem a sede das precedentes; se as cousas que pertencem à Igreja, e são chamadas espirituais, residem nos íntimos do homem, é porque elas se conjuntam com o Céu, e pelo Céu com o Senhor, pois do Senhor pelo Céu não entram outras no homem; se as que concernem a República, e são chamadas civis, tem um lugar abaixo das espirituais, é porque elas se conjuntam com o Mundo; com efeito, elas pertencem ao Mundo, pois são estatutos, leis e regulamentos, que ligam os homens, a fim de que por elas a Sociedade e a Cidade estejam em um estado regular e conveniente; se as que concernem à ciência, a experiência e à arte, e são chamadas Naturais, constituem a sede das precedentes, é porque elas se conjuntam estreitamente com os cinco sentidos do corpo, e estes são os últimos, sobre os quais estão, por assim dizer, assentados os interiores que pertencem à mente, e os íntimos que pertencem à alma. Ora, visto como as cousas que concernem à Igreja, e são chamados espirituais, residem nos íntimos, visto como as que residem nos íntimos fazem a cabeça, e as que as seguem, chamadas civis, fazem o corpo, e as últimas, chamadas naturais, os pés, é evidente que quando estes três gêneros de cousas se seguem em sua ordem, o homem é homem perfeito; pois então elas influem da mesma maneira que as cousas que pertencem à cabeça influem no corpo, e pelo corpo nos pés; assim as Espirituais nas Civis e pelas civis nas Naturais. Ora, como as Espirituais estão na luz do Céu, é evidente que por sua luz elas ilustram as que seguem em ordem, e que por seu calor, que é o amor, elas as animam; e quando isso acontece, o homem possui a sabedoria. Visto que a Sabedoria pertence à Vida, e conseqüentemente à razão, como foi dito acima, pergunta-se o que é a sabedoria da vida: Esta sabedoria, em um apanhado sumário, consiste em fugir dos males, porque são prejudiciais à Alma, prejudiciais à República e prejudiciais ao Corpo, e em fazer os bens porque são proveitosos à Alma, à República e ao Corpo. Está aí a Sabedoria que é entendida pela sabedoria com a qual o Amor conjugal se liga; pois ele se liga, porque foge do mal do adultério como a peste da alma, da república e do corpo; e como esta Sabedoria tem sua origem nas cousas espirituais que pertencem à Igreja, segue-se que o Amor conjugal é segundo o estado da Igreja no homem, porque é nele segundo o estado da sabedoria; por isso é também entendido o que foi freqüentemente dito acima, que, quanto mais, o homem se torna espiritual, tanto mais está no Amor verdadeiramente conjugal; pois o homem se torna espiritual pelas cousas espirituais da Igreja". Veremos adiante, ns. 163, 164 e 165, maiores desenvolvimentos sobre a Sabedoria com a qual se conjunta o amor conjugal.

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