CL &137

O Amor Conjugal
Emanuel Swedenborg
As Delicias da Sabedoria sobre o Amor Conjugal e as Volupias da Loucura sobre o Amor Escortatório

- Segundo Memorável: Um dia em que eu meditava sobre o Amor conjugal, eis que ao longe, apareceram duas crianças nuas, com açafates nas mãos, e em torno delas rolinhas voando; e quando foram vistas de mais perto, apareciam sempre nuas, mas decentemente ornadas com grinaldas; coroas de flores ornavam suas cabeças, e bandas de lírios e rosas cor de jacinto, que pendiam obliquamente das espáduas aos lombos decoravam seus peitos, e em torno delas havia uma espécie de ligação comum, composta de folhagens juncadas de olivas. Mas quando chegaram ainda mais perto, apareceram não mais como crianças, nem nuas, mas como duas pessoas na primeira flor da idade, vestidas com hábitos e túnicas de seda brilhante, bordadas com flores da maior beleza; e quando chegaram junto a mim, veio do Céu, por eles, um calor primaveril com um aroma suave tal como o que os jardins e os campos exalam na primavera. Eram dois Esposos do Céu; e então me dirigiram a palavra; e como as cousas que eu acabava de ver estavam no meu pensamento, eles me fizeram esta pergunta: "Que vistes?" E quando lhes contei que a princípio os tinha visto como crianças nuas, em seguida como crianças ornadas com grinaldas, e enfim como jovens vestidos com roupas bordadas de flores, e que então de repente senti um calor primaveril com suas delícias, eles sorriram com graça e disseram: "Nós, no caminho, nos víamos não como crianças, nem nuas, nem com grinaldas, mas continuamente na mesma aparência de agora; e é assim que de longe foi representado o nosso amor conjugal; o seu estado de inocência no fato de termos sido vistos como crianças nuas; as suas delícias, pelas grinaldas; e as mesmas delícias agora pelas flores de que os nossos hábitos e túnicas estão recamados, e como disseste que quando chegamos perto de ti, sentistes um calor primaveril com seu odor agradável como o que se exala de um jardim, nós diremos a sua causa". E disseram: "Nós somos ,Esposos há séculos, temos estado continuamente na flor da idade, em que nos vês; o nosso primeiro estado foi como é o primeiro estado de uma donzela e de um mancebo quando se unem pelo casamento; e acreditamos então que este estado era a beatitude mesma de nossa vida; mas aprendemos com outros de nosso Céu, e mais tarde nós mesmos o percebemos, que este estado era o do calor não temperado pela luz, e que ele é progressivamente temperado, à medida que o marido é aperfeiçoado em sabedoria, e que a esposa ama esta sabedoria no marido, e que isso se dá pelos usos e segundo os usos que um e outro desempenham por um mútuo auxílio na sociedade; além disso também que as delícias se sucedem segundo a temperatura do calor e da luz, ou da sabedoria e do amor. Se, portanto, quando chegamos perto de ti, tu sentiste como um calor primaveril, é porque em nosso Céu o Amor conjugal e este calor fazem um, pois entre nós o Calor é o Amor, e a Luz com que se une o calor é a Sabedoria, e o Uso é como a atmosfera, que em seu selo contém um e outro; o que é o Calor e a Luz, sem seu continente? assim, o que é o Amor e a Sabedoria sem seu uso? não há conjugal neles; porque não há objeto em que estejam. No Céu, onde está o calor primaveril, há Amor verdadeiramente conjugal; se ele, aí está, é porque o primaveril só está onde o calor está unido com igualdade à luz, ou antes onde há tanto de calor como de luz; e nós pensamos que, como o calor encontra suas delícias com a luz, e a luz as suas com o calor, do mesmo modo o amor encontra suas delícias com a sabedoria, e a sabedoria as suas com o amor". Além disso ele disse: "Entre nós, no Céu, há uma luz perpétua, e jamais a sombra da tarde, nem com mais forte razão as trevas, porque o nosso Sol não se deita nem se levanta como o vosso sol, mas se mantém constantemente no meio entre o zênite e o horizonte, isto é, segundo vossa maneira de falar, aos 45 graus do céu, daí vem que o calor e a luz que procedem de nosso Sol fazem uma Primavera perpétua, e que um primaveril perpétuo inspira aqueles em, quem o amor está unido em proporção igual com a sabedoria; e nosso Senhor pela união eterna do calor e da luz não aspira a outra cousa que não sejam os usos; daí vem também às germinações em vossa terra, e os acasalamentos de vossos voláteis e de vossos animais, na estação da primavera; pois o calor primaveril abre seus interiores até aos íntimos, que são chamados suas almas, e os afeta e aí introduz seu conjugal, e faz com que os prolíficos venham em suas delícias para um contínuo esforço para fazer os frutos do uso, que são a propagação de sua espécie. Mas nos homens há, pelo Senhor, um perpétuo influxo de calor primaveril; é por isso que eles podem em todo tempo, mesmo no meio do inverno, gozar as delícias do casamento; pois os homens foram criados recepções da luz, isto é, da sabedoria procedente do Senhor, e as mulheres foram criadas recepções do calor, isto é, do amor da sabedoria do homem, procedente do Senhor; daí vem, portanto, que quando chegamos perto de ti, tu sentiste um calor primaveril com um perfume suave, tal como o que os jardins e os campos exalam na primavera ". Depois de ter dito estas palavras, o marido me estendeu a mão, e me conduziu às casas onde estavam esposos na mesma flor da idade que eles, e disse: "Estas esposas que agora parecem jovens foram, no mundo, mulheres velhas, e os maridos que agora parecem como moços foram no mundo, velhos decrépitos; e todos estes foram reconduzidos pelo Senhor a esta flor de idade porque se amaram mutuamente, e fugiram, pela religião, dos adultérios como pecados enormes". E acrescentou: "Ninguém conhece os prazeres felizes do Amor conjugal, a não ser aqueles que rejeitam os prazeres horríveis do adultério, e ninguém pode rejeitá-los senão aqueles que são sábios pelo Senhor, e ninguém é sábio pelo Senhor, senão aquele que faz usos por amor aos usos". Vi também, então, os utensílios de suas casas, eram todos em formas celestes, e de ouro brilhante inflamado pelos rubis de que eram guarnecidos.

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