DA CONJUNÇÃO DAS ALMAS E DAS MENTES PELO CASAMENTO, A QUAL É ENTENDIDA POR ESTAS PALAVRAS DO SENHOR: ELES NÃO SAO MAIS DOIS MAS UMA SÓ CARNE 156 - (bis). Que por Criação tenha sido implantada no Homem e na Mulher uma inclinação e também uma Faculdade de conjunção como em um, e que uma e outra estejam ainda no Homem e na Mulher, vê-se pelo Livro da criação, e ao mesmo tempo pelas palavras do Senhor. No Livro da criação, que é chamado Gênesis, lê-se: "Jehovah Deus edificou em mulher a costela que tirou do homem; e a levou ao homem. E o homem disse: Esta, desta vez, é Osso de meus ossos e carne da minha carne; desta o nome será chamado Ischah, porque de Isch, o homem (Vir) foi esta tirada; por isso o homem deixará seu pai e sua mãe, e se ligará a sua esposa, e eles serão em uma. só carne". (11, 22, 23, 24). 0 Senhor disse também semelhantemente em Mateus: "Não lestes que Aquele que os faz no começo, Macho e Fêmea os fez, e disse: Por causa disso o homem deixará seu pai e sua mãe, e se ligará a sua esposa, e os dois serão em uma só Carne? Portanto, eles não são mais dois, mas uma só Carne". (XX, 4, 5). Por estas palavras é evidente que a Mulher foi criada do Homem. (Vir) e que em um e outro há uma Inclinação e uma Faculdade de se reunir em um; que seja em um Homem (Homo), isso ainda é evidente pelo Livro da criação, onde um e outro em conjunto são chamados o Homem, pois lê-se: "No dia em que Deus criou o Homem, macho e fêmea os criou, e chamou seu nome Homem". (V, 1, 2); aí, se lê: Ele chamou seu nome Adão; mas Adão e Homem são uma mesma palavra na Língua Hebraica; além disso, um e outro, juntos são aí chamados Homem, (1, 27; 111, 22, 23, 24); por uma só carne é significado também um só Homem, o que é evidente na Palavra pelas passagens onde se diz: "Toda Carne", pelo que é entendido Todo Homem, como Gênesis VI, 12, 13, 17, 19; Isaías XL, 5, 6; XLIX, 26; LXVI, 16, 23, 24; Jeremias XXV, 31; XXXII, 27; XLV, 5; Ezequiel XX, 48; XXI, 4, 5; e em outros lugares. Quanto ao que é entendido pela Costela do homem que foi edificada em mulher; por "serrou a Carne em seu lugar"; e assim por "Osso de meus ossos e Carne de minha Carne"; pelo Pai e a Mãe que o homem deixará depois do casamento, e por Ligar-se a sua esposa, isso foi mostrado nos Arcanos Celestes, onde os dois Livros, o Gênesis e o Êxodo foram explicados quanto ao sentido espiritual. Que pela Costela não tenha sido entendida uma costela, nem pela Carne a carne, nem por Osso um osso, nem por Ligar-se, ligar-se, mas foram entendidos Espirituais que correspondem a essas cousas, e que por conseguinte são significadas por elas, é o que foi demonstrado nessa mesma Obra; que tinham sido entendidos Espirituais, que de dois fazem um só Homem, isso é evidente pelo fato do Amor conjugal conjuntar os dois, e este Amor é espiritual. Que o Amor da Sabedoria do Esposo tenha sido transferido para a esposa, isso já foi dito algumas, vezes, e será mais plenamente confirmado nas Seções que seguem esta; agora, não, é permitido fazer uma digressão, nem por conseqüência afastar-se do assunto aqui proposto, que concerne à conjunção de dois Esposos em uma só carne pela união das almas e das mentes. Mas esta União vai ser explicada nesta ordem: I. Foi impressa em um e outro Sexo uma faculdade e uma inclinação, para que eles possam e queiram ser conjuntos como em um. II. 0 Amor conjugal conjunta as duas almas e por conseguinte as duas mentes em um. III. A vontade da esposa, se conjunta com o entendimento do Esposo, e por conseguinte o entendimento do Esposo se conjunta com a vontade da esposa. IV. A inclinação a unir a si o Esposo, é constante e perpétua na esposa, mas inconstante e alternativa no Esposo. V. A conjunção é inspirada ao Esposo, pela esposa, segundo o amor da esposa, e é recebida pelo Esposo, segundo a sabedoria do Esposo. VI. Esta conjunção se faz progressivamente desde os primeiros dias do casamento, e, nos que estão no Amor verdadeiramente conjugal, ela se faz cada vez mais profundamente durante a eternidade. VII. A conjunção da Esposa com a sabedoria racional do Marido se faz por dentro, mas com a Sabedoria moral ela se faz por fora. VIII. Por esta conjunção como fim, foi dada à Esposa a percepção das afeições do Marido, e também a maior prudência para as moderar. IX. As Esposas encerram em si esta percepção, e a escondem aos Maridos por motivos que são necessidades, a fim de que o Amor conjugal, a amizade e a confiança, e assim a beatitude da coabitação e a felicidade da vida, sejam asseguradas. X. Esta percepção é a Sabedoria da esposa; e esta sabedoria não pode estar no esposo, nem a Sabedoria racional do esposo estar na esposa. XI. A Esposa, pelo amor, pensa continuamente na Inclinação do Esposo em relação a ela, na intenção de se lhe conjuntar; não se dá o mesmo com o Esposo. XII. A Esposa se conjunta ao Esposo por aplicações aos desejos de sua vontade. XIII. A Esposa se conjunta a seu Esposo pela esfera de sua vida, que sai de seu amor. XIV. A Esposa se conjunta ao Marido pela apropriação das forças da virtude do marido, mas isso se faz segundo seu mútuo amor espiritual. XV. Assim a Esposa recebe nela a imagem de seu Marido, e por conseguinte a percebe, vê e sente as afeições. XVI. Há Deveres próprios ao Esposo, e Deveres próprios à Esposa e a Esposa não pode entrar nos deveres próprios ao esposo, nem o esposo, nos deveres próprios à Esposa nem bem se desobrigar deles um e outro. XVIII. Estes Deveres segundo o socorro mútuo conjuntam também os dois em um; e ao mesmo tempo constituem uma única Casa. XVIII. Aqueles que estão no Amor verdadeiramente conjugal tornam-se cada vez mais um único Homem. XIX. Aqueles que estão no Amor verdadeiramente conjugal sentem que pela união eles são homens, e como uma só carne. XX. 0 Amor verdadeiramente conjugal, considerado em si mesmo, é a união das almas, a Conjunção das mentes, e o esforço para a conjunção no peito e em seguida no corpo. XXI. Os estados deste amor são a Inocência, a Paz, a Tranqüilidade, a Amizade íntima, a plena Confiança, e o Desejo da mente (animus) e do coração de se fazer um ao outro toda sorte de bem; e os estados provenientes destes são a Beatitude, a Satisfação, o Prazer, a Volúpia; e do gozo eterno de todas estas cousas resulta a Felicidade eterna. XXII. Estas cousas não podem existir senão no casamento de um único esposo, com uma única Esposa Segue agora a explicação destes Artigos.