CL &276

O Amor Conjugal
Emanuel Swedenborg
As Delicias da Sabedoria sobre o Amor Conjugal e as Volupias da Loucura sobre o Amor Escortatório

- V. Entretanto os laços do Casamento no Mundo devem durar até ao fim da vida de um dos esposos.
Esta proposição é apresentada a fim de manifestar mais claramente diante da razão a necessidade, a utilidade e a verdade de que o amor conjugal, quando não é real, deve, não obstante, ser imitado ou se apresentar como se existisse realmente; seria diferente, se os casamentos contraídos não devessem durar até ao fim da vida, mas pudessem ser dissolvidos à vontade, como acontecia na nação Israelita, que tinha reclamado para ela a liberdade de repudiar as esposas por qualquer motivo, como se vê claramente por estas passagens em Mateus: "Os Fariseus vieram a Jesus, e lhe disseram: É permitido a um homem repudiar sua esposa por qualquer motivo que seja? E como, Jesus respondesse que não era permitido repudiar uma esposa e tomar uma outra, senão por causa de escortação, eles replicaram que entretanto Moisés tinha mandado que lhe desse carta de divórcio, e a repudiasse; e os discípulos disseram: Se tal é a condição do homem com a mulher, não convém casar", (Mateus XIX, 3 a 10). Visto, portanto, que a aliança do casamento é uma aliança para a vida, segue-se que as aparências de amor e de amizade entre esposos são necessidades. Que os Casamentos contraídos devem durar no Mundo até ao fim da vida, é pela Lei Divina, e como é por esta lei, é também pela lei racional, por conseguinte pela lei civil; pela Lei Divina, pois que não é permitido repudiar sua esposa e tomar outra, a não ser por causa de escortação, como vimos acima; pela Lei racional, porque esta Lei é fundada sobre a Lei espiritual, pois a Lei Divina e a Lei racional são uma única Lei; por esta e aquela Lei juntas, ou por esta segundo aquela, pode-se ver quanto haveria de enormidades, de destruições de sociedades, de dissoluções de casamentos, ou de repudiaçães de esposas pelos caprichos dos maridos, antes da morte. Estas enormidades e estas destruições de sociedades podem ser vistas em muito grande quantidade nos Memoráveis sobre a origem do Amor conjugal, discutida por uma reunião de Espíritos de nove reinos, ns. 103 a 115; é inútil acrescentar-lhes outras razões. Mas estas Causas não impedem que as separações de que se falou acima, ns. 252, 253 e 254, sejam permitidas por causas especiais, e também as Concubinagens de que se falará na Segunda Parte.

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