- XI. Em outros não há Ciúme algum, e também por diversas causas. Se não há Ciúme algum, e se o Ciúme cessa, há para isso várias causas; não há Ciúme principalmente naqueles que não estimam mais o amor conjugal do que o amor escortatório, e que ao mesmo tempo estão sem glória, não fazendo caso algum de sua reputação; estes assemelham-se muito aos maridos que prostituem suas esposas. Não há também Ciúme naqueles que o rejeitaram, porque se confirmaram que ele infecta a mente (animus); que é em vão que a mulher é vigiada; que vigiá-la é excitá-la; que por conseguinte é melhor fechar os olhos, e não olhar mesmo pelo buraco da fechadura, com receio de descobrir alguma cousa; alguns o rejeitaram por causa da ignorância ligada ao nome de Ciúme, pensando que o homem que é homem nada teme; outros foram forçados a rejeitá-lo, com medo de que os negócios domésticos venham a sofrer; além disso também com medo de incorrer no descrédito público, se a esposa fosse acusada de libertinagem de que é culpada. Além disso, o Ciúme se torna nulo naqueles que, em razão de sua impotência, concedem toda liberdade às esposas, a fim de ter filhos que sejam seus herdeiros; além disso também, em alguns por motivos de interêsse; e assim por diante. Há também casamentos escortatórios, nos quais, por mútuo consentimento, dão-se, um ao outro, inteira liberdade de intrigas amorosas, e entretanto se tratam com polidez quando se encontram.