CL &405

O Amor Conjugal
Emanuel Swedenborg
As Delicias da Sabedoria sobre o Amor Conjugal e as Volupias da Loucura sobre o Amor Escortatório

- XVI. 0 Amor das criancinhas e das crianças é um nos esposos espirituais e outro nos esposos naturais.
Nos esposos espirituais o amor das criancinhas é, quanto à aparência, semelhante ao amor destas crianças nos esposos naturais; mas ele é interior e por conseguinte mais terno, porque este amor vem da inocência e de uma mais próxima percepção da inocência, e assim de uma mais presente percepção neles, pois os espirituais são espirituais da forma como participam da inocência. Mas os pais espirituais, depois de terem provado a doçura da inocência em seus filhinhos, amam seus filhos de modo inteiramente diferente dos pais e das mães naturais; os espirituais amam os filhos segundo a inteligência espiritual e a vida moral destes, assim os amam pelo seu temor a Deus e sua piedade efetiva ou piedade da vida, e ao mesmo tempo por sua afeição e sua aplicação aos usos servindo à Sociedade, assim por suas virtudes e suas boas obras; é principalmente segundo o amor destas cousas que eles provêm e satisfazem as necessidades de seus filhos; é por isso que se não vêem neles essas qualidades, se desprendem deles, e não fazem por eles senão o que é de seu dever. Nos pais e mães naturais, o amor dos filhinhos vem também da inocência, é verdade, mas esta inocência recebida por eles é enrolada em torno de seu próprio amor, e por conseguinte é por este amor e ao mesmo tempo por esta inocência, que amam seus filhinhos, que os beijam, os abraçam, os carregam, os apertam de encontro ao peito, e os acariciam excessivamente, e que os consideram como fazendo um só coração e uma só alma com eles; em seguida após o estado de sua infância até à puberdade e além, quando a inocência não opera mais, eles os amam, não pelo temor a Deus e a piedade efetiva ou piedade na vida, nem por alguma inteligência racional e moral neles, e pouco olham, ou mal olham para suas afeições internas, e por conseguinte para as suas virtudes e os seus bons costumes, mas unicamente para as cousas externas, às quais são favoráveis; a isso adjuntam, ligam e juntam seu amor; por conseguinte, fecham mesmo os olhos a seus vícios, desculpando-os e favorecendo-os; a razão disso é que neles o amor dessa progenitura é também o amor deles mesmos, e este amor se liga ao indivíduo no exterior e não entra nele como ele mesmo não entra em si.

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