- XIV. Uma e outra Esfera traz consigo prazeres. Quer dizer que uma e outra Esfera, a do amor escortatório que sobe do Inferno, e a do amor conjugal que desce do Céu, afetam com prazeres o homem (homo) que recebe. Isto resulta de que o último plano, no qual os prazeres de um e de outro amor se terminam, e onde se realizam e se completam, e que os apresenta a seu próprio sentimento, é o mesmo; daí resulta que as carícias escortatórias e as carícias conjugais são percebidas semelhantemente nos extremos, ainda que sejam absolutamente diferentes nos internos; que por conseguinte elas sejam diferentes também nos extremos, é um ponto não decidido segundo um sentido de diferença; pois as dessemelhanças provenientes das diferenças nos extremos não são sentidas senão por aquêles que estão no amor verdadeiramente conjugal; com efeito, o mal é conhecido pelo bem, mas o bem não é conhecido pelo mal, do mesmo modo que um odor doce não é discernido por uma narina a que se ligou um odor desagradável. Ouvi dizer pelos Anjos que eles díscernem nos extremos o lascivo do não lascivo, como se diferencia um fogo de esterco ou de chifre queimado, pelo seu mau cheiro, de um fogo de substâncias aromáticas ou de cinamomo pelo seu odor agradável; e que isso provém da diferença dos prazeres internos que entram nos prazeres externos e os compõem.