- XII. Pois que o conjugal de um marido com uma espôsa é o Tesouro da vida humana, e o Reservatório da religião, cristã. Estão aqui duas cousas que foram demonstradas universalmente e singularmente, em toda a Parte precedente sobre o Amor conjugal e sobre as delícias de sua sabedoria. Que seja o Tesouro da vida humana, é porque a vida do homem é tal qual é nele este amor, pois ele faz o íntimo de sua vida; com efeito, ele é a vida de sua sabedoria coabitando com seu amor, e do amor coabitando com sua sabedoria, e por conseguinte é a vida das delícias de um e de outro; em uma palavra, é uma alma vivente por êste amor; daí vem que o conjugal de um marido com uma esposa seja chamado o Tesouro da vida humana. Isto é confirmado pelas proposições acima, que com uma única esposa há uma amizade verdadeiramente conjugal, confiança, força, porque há união das mentes, nºs 333 e 334; que neste conjugal e por este conjugal há as beatitudes celestes, as felicidades espirituais, e por conseguinte os prazeres naturais aos quais foi provido desde o começo para os que estão no amor verdadeiramente conjugal, nº 335; que este amor é o amor fundamental de todos os amores celestes e espirituais, e por conseguinte de todos os amores naturais, e que nêle foram reunidos todos os contentamentos e todas as alegrias, desde as primeiras até às últimas, nº 65 a 69; e que considerado em sua origem, ele seja o jogo da sabedoria e do amor, é o que foi plenamente demonstrado nas Delícias da Sabedoria sobre o Amor conjugal, que formam a Primeira Parte desta Obra.