- III. 0 Adultério duplo é o de um marido com a esposa de um outro, ou de uma esposa com o marido de uma outra. Este Adultério é chamado duplo, porque é cometido por dois, e porque dos dois lados a aliança do casamento foi violada: por isso ele é duas vezes mais grave que o precedente. Foi dito acima, nº 480, que o Amor conjugal de um marido com uma única esposa une as almas após o compromisso e a aliança, e que esta união é este Amor mesmo em sua origem, e que ela é fechada e suspensa pelo adultério, como a nascente e a corrente de uma fonte; que as almas dos dois se unem, quando o amor do sexo é restringido a uma única do sexo, o que acontece quando uma donzela se dá inteiramente a um mancebo por uma aliança, e que reciprocamente por esta aliança o mancebo se dá inteiramente à donzela, é o que é bem evidente nisto que as vidas de um e de outro se unem, por conseguinte as almas, pois que estas são os princípios da vida; esta união das almas é possível somente nos Casamentos monogâmicos, ou de um único marido com uma única esposa, mas não nos Casamentos poligâmicos, ou de um marido com várias esposas, porque nestes o Amor é dividido, e naqueles é unido; se em sua sede suprema o Amor conjugal é espiritual, santo, puro, é que por sua origem a alma de cada homem é celeste; por isso recebe ela do Senhor imediatamente o influxo, pois recebe d'Ele o casamento do amor e da sabedoria, ou do bem e do vero, e este influxo o faz homem e o distingue das bestas. Desta união das almas, o Amor conjugal, que está em sua santidade e em sua pureza espirituais, decorre na vida de todo o corpo, e o enche de prazeres deliciosos, durante todo o tempo em que a sua veia permanece aberta, o que acontece naqueles que pelo Senhor se tornam espirituais. Que não haja nenhuma outra cousa senão o adultério, que fecha e suspende esta sede do amor conjugal, esta origem ou fonte, e sua veia, isso é evidente pelas palavras do Senhor, que é somente por causa do adultério que é permitido repudiar a esposa, e tomar uma outra, (Mateus XIX, 4 a 9); depois por estas, que aquele que se casa com uma repudiada comete adultério, (vers. 9). Quando esta pura e santa fonte é fechada, ela fica, como foi dito acima, cercada de imundícies, como uma pedra preciosa cercada de lixo, ou como pão cercado de vômitos, imundícies que são inteiramente opostas à pureza e à santidade desta fonte ou do Amor conjugal; desta oposição resulta a frieza conjugal, e segundo esta frieza existe a atração lasciva do amor escortatório, que se consuma por si mesmo; que seja isso um mal de pecado, é porque o santo é coberto e assim a sua veia no corpo é obstruída, e em seu lugar sucede o profano, e sua vela no corpo é aberta; por conseguinte, de celeste, o homem se torna infernal.