CL &490

O Amor Conjugal
Emanuel Swedenborg
As Delicias da Sabedoria sobre o Amor Conjugal e as Volupias da Loucura sobre o Amor Escortatório

- X. Os Adultérios do terceiro grau são os adultérios da razão, os quais são cometidos por aqueles que confirmam pelo entendimento que não são males de pecado.
Todo homem sabe que existe uma vontade e um entendimento; pois, quando fala, diz: "Eu quero isto"; e "Eu compreendo isto"; todavia, não faz, entretanto, distincão, mas faz um a mesma coisa que o outro; e isso, porque reflete unicamente sobre as cousas que pertencem ao pensamento pelo entendimento, e não nas que pertencem ao amor pela vontade, pois estas não se apresentam à luz como aquelas. Entretanto, aquele que não faz distinção entre a Vontade e o Entendimento, não pode fazer distinção entre os males e os bens, e por conseguinte não pode absolutamente saber cousa alguma sobre a culpa do pecado. Mas quem é que não sabe que o bem e o vero são duas cousas distintas, como o amor e a sabedoria? E quem é que, quando está na luz racional, não pode concluir daí que há no homem duas cousas que os recebem distintamente e se aplicam a eles, e que uma é a Vontade e a outra o Entendimento, pela razão de que o que a Vontade recebe e reproduz é chamado Bem, e o que o Entendimento recebe é chamado Verdade, pois o que a Vontade ama e faz é chamado Bem, e o que o Entendimento percebe e pensa é chamado Verdade? Agora, como tratou-se do Casamento do bem e do vero na Primeira Parte desta Obra, e como aí foi relatado sobre a Vontade e o Entendimento e sobre diversos atributos e predicados de um e de outro, um grande número de cousas que, como presumo, são percebidas mesmo por aqueles que não tinham pensado distintamente cousa alguma sobre o entendimento e a vontade, pois a razão humana é tal, que compreende os veros por sua luz, ainda que antes não os tenha distinguido; por isso, para que as diferenças do entendimento e da vontade sejam mais claramente percebidas, apresentarei aqui algumas particularidades, a fim de que se saiba quais são os Adultérios da razão ou do entendimento, e em seguida quais são os Adultérios da vontade; que as proposições seguintes sirvam de conhecimento sobre este assunto: I. A vontade só nada faz por si mesma, mas tudo o que ela faz, o faz pelo entendimento. II. Por outro lado também, o Entendimento só nada faz por si mesmo, mas tudo o que faz, o faz segundo a vontade. III. A Vontade influi no entendimento, e o Entendimento não influi na vontade; mas o entendimento ensina o que é o bem e o mal, e consulta a vontade a fim de escolher entre os dois e fazer o que lhe agrada. IV. Depois disso se faz uma dupla conjunção, uma na qual a vontade age por dentro e o entendimento por fora; a outra na qual o entendimento age por dentro e a vontade por fora; assim os Adultérios da razão, de que se trata aqui, são distinguidos dos Adultérios da vontade, de que se tratará mais adiante; são distinguidos, porque um é mais grave do que o outro; pois o Adultério da razão é menos grave do que o Adultério da vontade; e isto, porque no Adultério da razão o entendimento age por dentro e a vontade por fora, enquanto que no Adultério da vontade, a vontade age por dentro e o entendimento por fora; ora, a vontade é o homem mesmo, e o entendimento é o homem segundo a vontade, e o que age por dentro domina sobre o que age por fora.

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