- III. Este desejo libidinoso aniquila inteiramente o amor conjugal em si. É porque este desejo libidinoso é inteiramente oposto ao amor conjugal, e de tal modo oposto, que não somente o faz em pedaços, mas mesmo, por assim dizer, o reduz a pó; pois o amor conjugal é por uma única do sexo, enquanto que este desejo libidinoso não se detém em uma só, mas após uma hora ou um dia, tem por ela tanta frieza quanto ardor tinha antes; e como a frieza é um desdém, este desdém por uma coabitação e uma morada constrangidas aumenta até excitar o desgosto, e assim o amor conjugal é consumido a ponto de não restar dele e menor cousa. Por isto pode-se ver que este desejo libidinoso é mortal para o amor conjugal; e que, como o amor conjugal faz o íntimo da vida do homem, ele é mortal para a vida do homem; e que este desejo libidinoso pelas intercepções e fechamentos sucessivos dos interiores da mente, se torna enfim cutâneo, e assim inteiramente sedutor, permanecendo sempre a faculdade de compreender ou a racionalidade.