. [20] VIII. Que todas as coisas do mundo também visem a mesma forma. Por todas as coisas do mundo se entendem as animadas, tanto as que caminham e rastejam sobre a terra quanto as que voam nos céus e as que nadam nas águas. E entendem-se, também, os vegetais, tanto as árvores quanto os arbustos, as flores, plantas e relvas, mas a atmosfera, as águas e as matérias da terra são somente meios de geração e de produção deles. Por nenhum outro meio senão pela criação do universo, das terras e de todas as coisas neles pode-se ver que o Divino Amor, que é a vida mesma e o Senhor, é a forma das formas de todos os usos, forma essa que é o Homem. Com efeito, pela criação, nada existe sobre a terra que não tenha um uso. Todo o reino mineral é cheio de usos; não há aí um grãozinho de poeira, ou um grãozinho de torrão, que não tenha um uso. Todo o reino vegetal é cheio de usos; não existe árvore, planta, flor e erva que não tenha um uso, nem mesmo coisa alguma na árvore, na planta, na flor e na erva que não tenha um uso. Cada um é a forma de seu uso. Todo o reino animal é também cheio de usos; não existe um animal, desde um vermículo até um leão, que não tenha um uso e que não seja a forma de seu uso. Dá-se de modo semelhante com as coisas que estão sobre a terra, até o sol. Em suma, todo ponto criado e das coisas criadas é um uso, e está mesmo numa série ascendente, desde o uso nos primeiros até o uso nos últimos, por conseguinte, de uso em uso continuamente, prova manifesta de que o Criador e Formador, que é o Senhor, é o complexo infinito de todos os usos, em sua essência amor e em sua forma Homem, no que esse complexo está. Quem jamais pode ser de razão tão insana que, querendo prestar a atenção a essas coisas, ainda que pelo sentido comum, pensa que elas são provenientes de um sol morto e, daí, de uma natureza morta?