- Todos os que morrem e se tomam Anjos se despojam destes dois próprios da Natureza, que, como foi dito, são o espaço e o tempo; pois entram então na luz espiritual, na qual os objetos do pensamento são os veros, e os objetos da vista são semelhantes aos do Mundo natural, mas correspondentes a seus pensamentos. Os objetos de seu pensamento, que, como foi dito, são os veros, nada tiram absolutamente do es aço nem do tempo; quanto aos objetos de sua vista, aparecem, é Sede, como no espaço e no tempo; e isso porque, os espaços e os tempos ai não são fixos como no Mundo natural, mas variam segundo os estados de sua vida; por conseguinte nas idéias de seu pensamento, em lugar dos espaços e dos tempos, há a dos estados da vida; em lugar dos espaços, as cousas que se referem aos estados do amor; e em lugar dos tempos, as cousas que se referem aos estados de sua sabedoria; dai vem que o pensamento espiritual e, por conseguinte a linguagem espiritual diferem de tal modo do pensamento e da linguagem naturais, que nada têm de comum, senão quanto aos interiores das cousas; interiores que são todos espirituais; serão dados em outro lugar maiores detalhes sobre esta diferença. Ora, como os pensamentos dos Anjos nada tiram do espaço nem do tempo, mas tiram tudo dos estados da vida, é evidente que os Anjos não compreendem, quando se diz que o Divino enche os espaços, pois não sabem o que vêm a ser os espaços, mas compreendem claramente quando, sem a idéia de espaço algum, se diz que o Divino enche todas as cousas.