- É este o pensamento fundamental sobre Deus, pois sem ele as cousas que serão ditas sobre a criação do Universo por Deus-Homem, sobre Sua Providência, sua Onipotência, Sua Onipresença e sua Onisciência, podem, é verdade, ser compreendidas, mas não obstante não podem ser retidas, porque o homem puramente natural, quando as compreende, recai sempre no amor de sua vida, o qual pertence à sua vontade, e este amor as dissipa, e mergulha o pensamento no espaço, em que está a sua luminosidade, que ele chama o racional, não sabendo que quanto mais as nega tanto mais é irracional. Que assim seja, pode-se confirmar pela idéia deste vero, Que Deus é Homem; peço-te que leias com atenção o que foi dito acima, nº 11 a 13, e o que foi escrito em seguida, então compreenderás que assim é; mas repõe teu pensamento na luminosidade natural que se atem ao espaço, não verás tu estas cousas como paradoxos; e se tu aí o repões muito, não as rejeitarás tu? E por esta razão que se diz que o Divino enche todos os espaços do Universo, e que não se diz que Deus-Homem os enche, pois se isto fosse dito, a luminosidade puramente natural absolutamente não aquiesceria a isto; mas se se diz que o Divino os enche, ela aquiesce a isto, porque isto concorda com esta fórmula da linguagem dos Teólogos, que Deus é Onipresente, e que ouve e sabe tudo. Ver sobre este assunto o que foi dito com mais detalhes acima, nº 7 a 10.