- Aquele que não sabe e não pode, por alguma percepção, pensar em Deus sem o tempo, não pode absolutamente perceber a Eternidade senão como uma eternidade de tempo, e então não ode senão extravagar em seu pensamento sobre Deus de toda eternidade, pois pensa segundo um começo e o começo pertence unicamente ao tempo; seu delírio consiste em pensar que Deus existiu por si, de onde cai facilmente na origem da natureza por si; não pode ser afastado desta idéia senão pela idéia espiritual ou angélica sobre a eternidade, idéia que é sem o tempo; e quando a idéia é sem o tempo, a Eternidade e o Divino são uma mesma cousa; o Divino é o Divino em si, e não por si; os Anjos dizem que podem, é verdade, perceber um Deus de toda eternidade, mas de maneira alguma uma natureza de toda eternidade, ainda menos uma natureza por si, e de modo algum uma natureza que fosse a natureza em si; pois o que é em si é o Ser mesmo, de quem todas as cousas procedem, e o Ser em si é a vida mesma, que é o Divino Amor da Divina Sabedoria e a Divina Sabedoria do Divino Amor. Cristo para os Anjos a Eternidade, assim ela é abstrata do tempo, como o Incriado é abstrato do criado, ou como o Infinito é abstrato do finito, entre os quais não há mesmo relação.
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