- Que o Senhor não somente esteja no Céu, mas que seja também o Céu mesmo, é porque o amor e a sabedoria fazem o Anjo, e estas duas cousas pertencem ao Senhor nos Anjos; segue-se daí que o Senhor é o Céu. Com efeito, os Anjos não são Anjos pelo seu próprio, o seu próprio é absolutamente como o do homem, próprio que é o mal; que seja esse o próprio dos Anjos, é porque todos os Anjos foram homens, e esse próprio lhes é inerente por nascimento; é somente afastado, e tanto quanto é afastado, tanto recebem o amor e a sabedoria, isto é, o Senhor neles. Cada um pode ver, por pouco que eleve seu entendimento, que o Senhor não pode habitar nos Anjos senão naquilo que lhe pertence, isto é, em seu próprio, que é o Amor e a Sabedoria, e de modo algum no próprio dos Anjos, que é o mal; daí vem que tanto quanto o mal é afastado, tanto o Senhor está neles, e tanto eles são anjos; o angélico mesmo do Céu é o Divino Amor e a Divina Sabedoria; este Divino é chamado Angélico tanto quanto está nos Anjos; dai é de novo evidente que os Anjos são Anjos pelo Senhor, e não por eles mesmos; por conseqüência também o Céu.