- Mas não se pode apreender como o Senhor está no Anjo, e o Anjo no Senhor, se não se sabe qual é a conjunção; há conjunção do Senhor com o Anjo e do Anjo com o Senhor, a conjunção é portanto recíproca; da parte do Anjo ela é como segue: 0 Anjo não percebe outra cousa senão que está no amor e na sabedoria por si mesmo, semelhantemente como o homem, e por conseqüência como se o amor e a sabedoria lhe pertencessem, ou fossem seus; se não percebessem assim, não haveria conjunção alguma, assim o Senhor não estaria nele, nem ele no Senhor; e não é possível que o Senhor esteja em algum Anjo ou em algum homem, a não ser que aquele em quem Ele está com o amor e a sabedoria, perceba e sinta isso como seu; por isso o Senhor não somente é recebido, mas ainda após ter sido recebido é retido, e além disso é amado reciprocamente; é por isso também que o Anjo é sábio, e permanece sábio; quem pode querer amar o Senhor e o próximo, e quem pode querer ser sábio, se não sente e não percebe como seu o que ele ama, apreende e haure? Quem de outro modo pode reter isso em si? Se não fosse assim, o amor e a sabedoria que influem não teriam assento algum, pois se espalhariam por fora e não o afetariam; assim o Anjo não seria Anjo, o homem não seria homem, e não seria mesmo senão como alguma cousa inanimada. Por estas explicações, pode-se ver que para que haja conjunção é preciso que haja o recíproco.