- Pois que os Graus de largura ou contínuos são como os da Luz à sombra, do quente ao frio, do duro ao mole, do denso ao rarefeito, do espesso ao tênue, e assim por diante, e, pois que estes graus são conhecidos pela experiência dos sentidos e dos olhos, enquanto que não se dá o mesmo com os Graus de altura ou discretos, é principalmente destes que se tratará nesta Parte, pois sem o conhecimento destes Graus não se pode ver as causas. Sabe-se, é verdade, que o fim, a causa e o efeito seguem-se em ordem, como o anterior, o posterior e o último, e que o fim produz a causa, e pela causa o efeito, para que o fim exista, e sabe-se também várias outras cousas sobre este assunto, entretanto sabê-las, e não as ver por aplicações sobre o que existe, é saber unicamente cousas abstratas, que não permanecem senão tanto tempo quanto no pensamento há cousas analíticas tiradas da Metafísica; daí vem que, embora o fim, a causa e o efeito andem por Graus discretos, entretanto no Mundo sabe-se pouca cousa sobre estes Graus, se é que se sabe alguma cousa; pois o conhecimento único das cousas abstratas é como uma espécie de objeto aéreo que desaparece, mas se as cousas abstratas são aplicadas a cousas que estão no Mundo, elas são como um objeto que se vê com os olhos sobre a terra, e que permanece na memória.