- V. Que diferença há entre a vida do homem natural e a vida da besta. Falar-se-á especialmente desta diferença no que segue, quando se tratar da Vida; aqui, se dirá unicamente que esta diferença consiste em que no homem há três graus da Mente, ou três graus do Entendimento e da Vontade; que estes três graus podem ser sucessivamente abertos; e, que, como são diáfanos, o homem quanto ao Entendimento pode ser elevado à luz do Céu, e ver os veros, não somente os veros civis e morais, mas mesmo os veros espirituais, e de vários veros vistos concluir veros em ordem, e assim aperfeiçoar eternamente o entendimento. Mas nas bestas não há os dois Graus superiores, há somente os Graus naturais, que, sem os graus superiores, não dão faculdade alguma de pensar sobre seja o que for de civil, de moral e de espiritual; e como seus graus naturais não são suscetíveis de ser abertos, nem por conseqüência de ser elevados a uma luz superior, elas não podem pensar em uma ordem sucessiva, mas pensam na ordem simultânea, o que não é pensar, mas agir segundo uma ciência que corresponde a seu amor; e como não pedem pensar analiticamente, nem ver o pensamento inferior por algum pensamento superior, elas não podem ]Por conseqüência falar, mas podem produzir sons de uma maneira conforme à ciência de seu amor. Mas acontece que o homem sensual, que é natural da última categoria, não difere da besta senão porque pode encher sua memória de científicos, e segundo eles pensar e falar, o que lhe vem da faculdade própria a cada homem, consistindo em poder compreender o vero, se quiser; é esta faculdade que faz a distinção; mas, entretanto muitos pelo abuso desta faculdade se tomaram inferiores às bestas.