- Todo homem nasce na faculdade de compreender os veros até ao grau íntimo em que estão os Anjos do terceiro Céu; pois o entendimento humano se levando pelo contínuo em torno dos dois graus superiores recebe a luz da Sabedoria destes graus, da maneira de que se alou acima, nº 256; vem daí que o homem possa se tornar racional segundo a elevação; se é elevado ao terceiro grau, torna-se racional do terceiro grau; se é elevado ao segundo grau, toma-se racional do segundo grau; e se não é elevado, é racional no primeiro grau; diz-se que ele se torna racional destes graus, porque o grau natural é o receptáculo comum de sua luz. Se o homem não se torna racional até ao mais alto ponto, como pode se tornar, é porque o amor, que pertence à vontade, não pode ser elevado da mesma maneira que a sabedoria que pertence ao entendimento; o amor que pertence à vontade é elevado somente por se fugir dos males como pecados, e então pelos bens da caridade, que são os usos, que o homem pelo Senhor desempenha em seguida; se, portanto o amor que pertence à vontade, não é elevado ao mesmo tempo, a sabedoria que pertence ao entendimento, embora tenha subido, recai até seu amor; daí vem que o homem, se seu amor não é elevado ao mesmo tempo ao grau espiritual, continua não sendo racional senão nó último grau. Por estas explicações pode-se ver que o racional do homem é em aparência como de três graus: racional segundo o celeste, racional segundo o espiritual, e racional segundo o natural; e que a racionalidade, que é a faculdade de poder ser elevado, está sempre no homem, quer ele se eleve ou quer não se eleve.