Os males e os falsos em todo oposto são contra os bens e os veros, porque os males e os falsos são diabólicos e infernais, e os bens e os veros são Divinos e Celestes 271 - Que o mal e o bem sejam opostos, e também os falsos do mal e os veros do bem, cada um o reconhece desde que o ouve dizer; mas como os que estão no mal não sentem e por conseguinte não percebem de outro modo senão que o mal é o bem, pois o mal agrada a seus sentidos, sobretudo a vista e o ouvido, e por conseguinte alegra também os pensamentos e por conseqüência as percepções, resulta que reconhecem, é verdade, que o mal e o bem são opostos, mas como estão no mal, o prazer do mal faz com que digam que o mal é o bem, e que o bem é o mal. Seja este exemplo: Aquele que abusa de sua liberdade para pensar e fazer o mal chama isso liberdade, e seu oposto, que é pensar o bem, que em si é o bem, denomina escravidão, ainda que, entretanto esta seja verdadeiramente a liberdade, e aquela a escravidão. A Aquele que ama os adultérios chama liberdade a ação de cometer adultério, e a proibição de cometê-lo chama isso de escravidão, pois sente na lascívia um prazer e na castidade um desprazer. Aquele que pelo amor de si está no amor de dominar, sente neste amor um prazer da vida, que está acima dos outros prazeres de todo gênero, por conseguinte chama bem tudo o que pertence a este amor, e proclama mal tudo o que o contraria, ainda que, entretanto seja tudo o oposto. Dá-se o mesmo com todo outro mal; assim ainda que cada um reconheça que o mal e o bem são opostos, não obstante aquêles e estão nos males têm desta oposição uma idéia contrária, e só aqueles que estão nos bens têm dela uma idéia justa; quem quer que seja, enquanto está no mal não pode ver o bem, mas o que está no bem pode ver o mal; o mal está em baixo como que em uma caverna, o bem está em cima como sobre uma montanha.