O Senhor de tôda a eternidade, ou Jehovah, não teria podido criar o Universo, e tôdas as cousas do Universo, se não fôsse Homem 285 - Aquêles que têm de Deus como Homem uma idéia natural-corporal, não podem de modo algum apreender como Deus, como Ho-mem, pôde criar o Universo e tôdas as cousas do Universo; pois pen-sam com êles mesmos: Como Deus, :gomo Homem, pode percorrer o Universo de espaço em espaço e criarP ou: Como pode Ele, do lugar onde está, dizer uma palavra, e como por uma palavra dita tôdas as cousas tenham sido criadasP Eis, quando se diz que Deus é Homem, o que cai nas idéias daqueles que pensam de Deus-Homem como de um homem dêste Mundo, e que pensam de Deus segundo a natureza e segundo os próprios da natureza, que são os tempos e os espaços; mas os que pensam de Deus-Homem, não segundo o homem dêste Mundo, e não segundo a natureza, nem segundo o espaço e o tempo da natureza, percebem claramente que o Universo não podia ser criado, a não ser que Deus fôsse Homem. Põe o teu pensamento nesta idéia angélica sôbre Deus, que Ele é Homem, e afasta tanto quanto podes a idéia de espaço, e pelo pensamento tu te aproximarás da verdade. Alguns Eruditos, também, percebem que os espíritos e os anjos não estão no espaço; pois é como o pensamento, embora esteja no homem, contudo o homem pode por êle estar como presente não importa em que lugar, mesmo o mais afastado. Tal é o estado dos espíritos e dos Anjos, que são homens, mesmo quanto a seus corpos; aparecem no lugar em que está seu pensamento, porque os espaços e as distân-cias no Mundo espiritual são aparências, e fazem um com o pensa-mento proveniente de sua afeição. Por isso pode-se ver que não se deve pelo espaço pensar em Deus, que aparece como Sol distante acima do Mundo espiritual, e em quem não pode estar nenhuma aparência de espaço; e então pode ser apreendido que Ele criou o Universo, não do nada mas de Si Mesmo; além disso também que Seu Corpo Hu-mano não pode ser imaginado grande ou pequeno, ou de uma estatura qualquer, pois isto também é do espaço; que assim Ele é o mesmo nos primeiros e nos filtimos, nos muito grandes e nos muito pequenos; e que além disso o Humano é o íntimo em todo objeto criado, mas sem espaço. Que o Divino seja o mesmo nos muito grandes e nos muito pequenos, vê-se acima, ns. 77 a 82; e que o Divino enche todos os espaços sem espaço, vê-se nos ns. 69 a 72; e pois que o Divino não está no espaço, não é tampouco contínuo, como é o íntimo da natureza.