- Cada um pelas causas visíveis na natureza pode-se confir-mar pelo Divino, quando presta atenção a tudo que se conhece das Abelhas. Elas sabem das plantas e das flôres recolher a cêra, sugar-lhes o mel, construir células como pequenas casas, e as dispor em forma de cidades, com praças pelas quais entram e pelas quais saem; sentem de longe o cheiro das flôres e das plantas, de que recolhem a cêra para a casa e o mel para a alimentação; e, quando estão carregadas àisso, revoam segundo a plaga para sua colmeia; assim provêm à sua alimentação e à sua habitação para o inverno seguinte, como se o pre-vissem e tivessem conhecimento dêle; põem também à sua testa como rainha uma soberana, pela qual a posteridade deve ser propagada, o para a qual constroem uma espécie de palácio acima de suas células, colocando guardas em tôrno; quando chega o tempo da postura, a rai-nha, acompanhada da guarda, vai de célula em célula e põe ovos, que a tropa que a segue cerca com um indumento, para que não sejam alterados pelo ar; daí para elas uma raça nova; mais tarde, quando esta geração chegou à idade necessária para poder fazer os mesmos tra-balhos, é expulsa da colmeia; o enxame expulso se reúne primeiro, de-pois se forma em massa, a fim de que a consociação não se rompa, e voa para procurar um domicílio; no outono os zangões inúteis são tam-bém expulsos, e são privados das asas, para que não voltem e não consumam os alimentos, para cujo aprovisionamento em nada contri-buíram; sem falar de vários outros fatos notáveis; por isto, pode-se ver que é em razão do uso prestado por elas ao Gênero Humano, que recebem do influxo pelo Mundo espiritual uma forma de govêrno, tal como existe entre os homens nas terras, e mesmo entre os anjos nos céus. Qual é o homem, provido de uma razão sã, que não vê que tais. causas nestes insetos não vèm do Mundo naturalP O que é que o SoI, donde provém a natureza, tem de comum com um govêrno semelhante e análogo ao govêrno celesteP Por estas observações e outras semelhan-tes entre as bêstas brutas, aquêle que reconhece e adora a natureza. se confirma pela natureza, enquanto que aquêle que reconhece e adora a Deus se confirma por Deus; pois o homem espiritual aí vê causas espirituais, e o homem natural aí vê causas naturais, assim cada um de acôrdo com o que êle mesmo é. Quanto ao que me concerne, tais. observações foram para mim testemunhos do espiritual no natural, ou do Mundo espiritual no Mundo natural, assim procedendo da Divina Sabedoria do Senhor. Que se examine ainda se, a respeito de alguma forma de govêrno, ou de qualquer lei civil, ou de qualquer virtude mo-ral, ou de qualquer verdade espiritual, é possível pensar analìticamente, a não ser que o Divino, pela sua Sabedoria influa pelo Mundo espi-ritual; quanto a mim, isso me foi e me é impossível; com efeito, notei êste influxo de uma maneira perceptível e sensível há dezenove anos contìnuamente; falo dêle portanto segundo uma prova certa.
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