SA &361

Sabedoria Angélica
Emanuel Swedenborg
Sobre o Divino Amor e Sobre a Divina Sabedoria

- Que cada homem tenha estas duas causas, Vontade e En-tendimento, e que elas sejam distintas entre si como o amor e a sabe-doria entre êles, sabe-se no Mundo e não se sabe; sabe-se pela per-cepção comum, e não se sabe pelo pensamento, nem com mais forte razão pelo pensamento na descrição; com efeito, quem não sabe pela percepção comum que a vontade e o entendimento são duas cou-sas distintas no homem? pois cada um o percebe quando ouve dizer, e pode também dizer a outro: "Fulano quer bem, mas não compreende bem; e fulano compreende bem, mas não quer bem; amo aquèle que compreende bem e quer bem, mas não amo aquìle que compreende bem e quer mal". Mas quando se pensa na vontade e no entendi-mento, não se faz duas causas, e não se distingue-as, mas se confunde-as; e isso, porque o pensamento comunica com a vista do corpo; apreende-se ainda menos que a vontade e o entendimento são duas cousas dis-tintas, quando se escreve; e isso, porque então o pensamento comunica com o sensual, que é o próprio do homem; daí vem cpic alguns podem pensar bem e falar bem, mas não podem entretanto escrever bem; isto é comum no sexo feminino. Dá-se o mesmo com muitas outras causas. Quem não sabe, pela percepção comum, que o homem que vive bem é salvo, e que o que vive mal é condenado; além disso, que o homem que vive bem vai para o meio dos anjos, e cpie aí vê, ouve e fala como um homem; como também, aquêle que faz o justo pelo justo, e o direito pelo direito, tem consciènciaP Mas se a pessoa se afasta da percepção comum, e submete estas cousas ao pensamento, então não sabe o que é a consciência, nem que a alma pode ver, ouvir e falar como um homem, nem que há um bem da vida senão o que consiste em dar aos pobres; e se segundo o pensamento tu escreves estas cousas, tu as confirmas por aparèncias e ilusões, e por palavras sonoras e desprovidas de sentido; daí vem que muitos eruditos, que muito pen-saram, e mais ainda os que escreveram, enfraqueceram e obscureceram e mesmo destruíram a percepção comum nêles; e que os simples vejam o que é o bem e o vero mais claramente do que os que se crêem mais sábios do que êles. Esta percepção comum vem do influxo do Céu, e cai no pensamento até à vista, mas o pensamento separado da percepção comum cai na imaginação, segundo a vista e segundo o próprio. Para te assegurares de que isto é assim, faz esta experiência: Diz algum vero a um homem que está na percepção comum, e êle o verá; diz-lhe que nós somos, vivemos e nos movemos por Deus e em Deus, e êle o verá; diz-lhe que Deus habita no amor e na sabedoria no homem, e êle o verá; diz-lhe, além disso, que a vontade é o receptáculo do amor, e o entendimento o receptáculo da sabedoria, e dá-lhe algumas explicações, e êle o verá; diz-lhe que Deus é o Amor Mesmo e a Sabe-doria Mesma, e êle o verá; pergunta-lhe o o que é a consciência, e êle o dirá; mas diz as mesmas causas a um Erudito que pensou, não pela percepção comum, mas pelos princípios ou as idéias tomadas pela vista proveniente do Mundo, e èle não as verá. Julga em seguida qual dos dois é o mais sábio.

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