- Como a Alma, quanto a seu ser mesmo, é o amor e a sa-bedoria, e como êstes dois que procedem do Senhor estão no homem, é por isso que foram criados no homem dois receptáculos, que são tam-bém os habitáculos do Senhor no homem, um para o amor, e o outro para a sabedoria; o que é para o amor é chamado Vontade, e o que é para a sabedoria é chamaclo Entendimento; ora, pois que o Amor e a Sabedoria são distintamente um, ns. 17 a 22; e cpe o Divino Amor do Senhor pertence à Sua Divina Sabedoria, e a Sua Divina Sabedoria a Seu Divino Amor, ns. 34 a 39; e pois que êles procedem semelhan-temente de Deus-Homem, isto é, do Senhor, é por isso que no homem êstes dois receptáculos e habitáculos, que são chamados Vontade e En-tendimento, foram criados pelo Senhor, de maneira que sejam distinta-mente dois, mas que não obstante façam como um em tôda operação e em tòda sensação; com efeito, a vontade e o entendimento não po-dem ser separados nem na operação nem na sensação. Mas que o aromem possa se tornar receptáculo e habitáculo, foi preciso estabelecer, pela necessidade do fim, que o Entendimento do homem poderia ser elevado acima do próprio amor do homem a alguma luz da sabedoria, em cujo amor não está, e por isso ver e aprender como deve viver, a fim de entrar também nesse amor, e gozar assim da beatitude pela eternidade. Ora, como o homem abusou àa faculdade Re elevar o en-tendimento acima de seu próprio amor, destruiu o.ssim nêle o que po-dia ser receptáculo e habitáculo do Senhor, isto é, do amor e da sa-bedoria procedente do Senhor, fazendo a vontade habitáculo do amor de si e do amor do mundo, e o entendimento habitáculo das confir-mações dêstes amôres. Vem daí que èstes dois habitáculos, a vontade e o entendimento, tenham se torna.do habitáculos do amor infernal, e por confirmações por êste amor, os habitáculos do pensamcnto iníer-nal, que é reputado como sabedoria no inferno.