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Sabedoria Angélica
Emanuel Swedenborg
Sobre o Divino Amor e Sobre a Divina Sabedoria

- VI. Quando as núpcias foram feitas, a primeira conjunção existe pela afeição de saber, donde resulta a afeição do vero. Pelas núpcias é entendido o estado do homem depois do nascimento, desde o estado de ignorância até ao estado de inteligência, e desde êste até ao estado de sabedoria; o primeiro estado que é de pura ignorância, não é entendido aqui pelas núpcias, porque então não existe pensa-mento algum do entendimento, mas há unicamente uma afeição obscura que pertence ao amor ou à vontade, êste estado é uma iniciação para as núpcias; que no segundo estado que é o do homem na segunda idade da infância (pueritia), haja a afeição de saber, isso é sabido; por esta afeição a criança da segunda idade aprende a falar, e aprende a ??? *er e em seguida aprende sucessivamente causas que pertencem ao e:nten-dimento. Que o Amor que pertence à vontade opera isso, é o que não pode ser pôsto em dúvida; pois se o amor ou a vontade não operasse, isso não seria feito. Que em cada !aromem depois ão nascimento haja a afeição de saber, e que por ela aprende causas, pelas cpiais gradati-vamente o entendimento se forma, cresce e se aperfeiçoa, todos o r;-conhecem, desde que segundo sua razão consulte a experiência. Que seja daí que vem a afeição do vero, isso é ainda,evidente; pois qu,".ndo o homem pela afeição de saber se tornou inteligente, êle não é levado pela afeição a saber, tanto quanto o é pela afeição a raciocinar e a concluir cousas que pertencem a seu amor, quer sejam econômicas, ou civis, ou morais; quando esta afeição é elevada até às cousas espiri-tuais, se torna afeição do vero espiritual; cpie seu primeiro ou seu co-mêço tenha sido a afeição de saber, pode-se vc-la nisto dic ??? ;< ..feiç,'.o èo vero é uma afeição elevada de saber; pois ser afetado pelos veros, é por afeição querer sabê-los, e quando são encontrados colhk-los no prazer da afeiçâo. - VII. A segunda conjunção existe pela afeição de compreender, donde resulta a percepção do vero. Isto é evidente para quem quer que queira examiná-lo segundo uma intuição racional. Pela intuição racional é evidente que a afeição do vero e a percepção do vero são duas faculdades do entendimento, que em alguns se reúnem em um, e em outros não; reúnem-se em um naqueles que querem pelo entendimento perceber os veros, e não se reúnem em um naqueles que querem sòmente saber os veros; é evidente também, cpie cada um está tanto na percepção do vero, quanto está na afeição de compreender; pois tira a afeie,ão de compreender o vero, e não have,rá percepção al-guma do vero; mas dá a afeição de compreender o vero, e haverá per-cepçío do vero segundo o grau da afeição do vero; pois jamais a per-cepção do vero falta ao homem cuja razão é íntegra, desde que haja afeição de compreender o vero; que em cada homem haja a faculdade de compreender o vero, que é chamada racionalidade, isso foi mostrado acima. - VIII. A terceira conjunção existe peLa afeição de ver o vero, de que resulta o pensamento. Que uma seja a afeição de saber, outra a afeição de compreender, e outra a afeição de ver o que se sabe e compreende; ou que uma seja a afeição do vero, outra a percepção do vero, e outro o pensamento, isto só é visto obscuramente por aquêles que não podem perceber distintamente as operações da mente, é por-que estas operações estão juntas nr> pensamento daqueles que estão na afeição do vero e na percepção do vero, e quando estão juntas, não podem ser distinguidas; o homem está em um pensamento manifesto, quando seu espírito pensa no corpo, o que acontece principalmente quando está em companhia de outros; mas quando está na afeição de compreender, e por ela vem à percepção do vero, está então no pen-samento de seu espírito, que é a meditação, a qual, é verdade, cai no pensamento do corpo, mas no pensamento tácito, pois está acima dêste, e considera como abaixo de si as cousas que pertencem ao pensamenta provenicntc da memória, pois por estas cousas ou concluí ou confirma; mas a afeição mesma do vero não é percebida senão como um esfôrço da vontade por uma sorte de encanto, que está interiormente na medi-tação como sua vida, a que se presta pouca atenção. Por estas expli-cações, pode-se agora ver que estas três causas, a afeição do vero, a percepção do vero e o pensamento, seguem-se em ordem c;onformc o amor, e que não existem em outra parte senão no entendimento; com efeito, quando o amor entra no entendimento, o que acontece quando a conjunção foi feita, êle produz primeiro a afeição do vero, em seguida a afeição de compreender o que 'e sab", e por fim a afeição de ver no pensamento do coiyo o que se compreende, pois o pensamento não é outra causa senado a vista intern,",; o pensamcnto, é verdade, existe em primeiro lugar, porcpie pertence à mente natural, mas o pensamento se-gundo a percepção do vero, que procede da afeição do vero, existe em último lugar; êste pensamento é o pensamento da sabedoria, mas aquêle é o pensamcnto vindo da memória pe!a vista de mente natural. Tôdes as operações do amor ou da vontade fora do entendimento se referem, não às afeiç<>es do vero, mas às afeições do bem.

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