- XVI. O Amor ou a Vontade é purificado no Entendimento, sc são elevados juntos. O homem por nascimento não ama senão a si mesmo c .'ao mundo, pois nenhuma outra causa se apresenta a seus olhos, e por conseguinte não se ocupa de nenhuma outra cousa, e êste amor é natural corporal, e pode ser chamado material; e, além disso, êsse amor se tornou impuro pela separação do mamar celeste dêle em seus pais. f.ste amor não pode ser separado de sua impureza, se o homem não tem a faculdade de elevar o entendimento na luz do Céu, e de ver como deve viver, a fim de coque seu amor poss@, com o en-tendimento, ser c;levado à sabedoria; pelo entendimento o amor vê, isto é, o homem vê quais são os males uue maculam e corrompem o amor, e vê também cpie se foge e detesta êstes males como pecados, ama ias causas que são apostas a êstes males, e que são tôdas celestes; depois vê também os meios pelos quais pode fugir dê.stes males e detestá-los corno pecados; o amor, isto í, o homem, vê isso pelo uso da faculdade ele elevar seu entendimento à luz do Céu, donde lhe vem a sabedoria; v,ntão quanto mais o amor põe o Céu em primeiro lugar e o mundo em segundo, c ao mesmo tempo o Senhor em primeiro lugar e êle mesmo e.m segundo, tanto mais o amor é depuração de sujas impurezas e é puri-ficado, isto é, tanto mais é elevado no calor do Céu, e conjunto à luz do Céu, em que está o entendimento, e então se faz o casamento que é chamado casamento do bem e do vero, isto é, do amor e da sabe-doria. Cada um pode apreender pelo entendimento e ver racionalmente c¿ue, quanto mais se evita e se detesta os roubos e as fraudes, tanto m,".is se ama a sinceridade, a eqiiidade e a justiça; que quanto mais sc, evita e se detesta as vinganças e os 6dios, tanto mais se ama o pró-ximo; que quanto mais se evita e se detesta os adultérios, tanto mais se 'ma a castidade, e assim por diante. E também apenas alguém co-nhece o rpie há do Céu e o que há do Senhor na sinceridade, na eqiii; dade, na justiça, no amor em relação ao próximo, na castidade e em tôdas ;??? rs nutras afeições do amor celeste, antes de ter afastado o que é oposto a estas afeições; quando afastou o que é oposto, está então nelas, e por elas as conhece e as vê; antes disto, há como um vé.u in-terposto, que transmite, é verdade, a luz do Céu ao amor, mas como o amor não ama a sabedoria, sua espôsa, nesse grau, não a recebe, e mesmo pnr vêzes a repreende e a condena, até que volte de sua ele-vação, mas não obstante êle a lisonjeia porque a sabedoria de seu en-tenclimento pode servir de meio para a honra, a glória ou o ganho; mas então se coloca e ao mundo em primeiro lugar; e põe o Senhor e o Céu em segundo lugar; e o que é pôsto em segundo lugar não é amado senão tanto qu;;nto é achado útil, e se não é útil é abandonado e re-jeit,??? ¿ào, senão antes, pelo menos depois da morte. Daí resulta portanto esta verdade que o amor ou a vontade é purificado no entci!cìimento, se são elevados juntos.