. Foi dito algumas vezes que o amor faz a vida do homem, mas não se deve entender o amor separado da sabedoria, ou o bem separado do vero na causa, porque o amor separado ou o bem separado não é coisa alguma. Por isso, o amor que faz a vida íntima do homem, a qual é proveniente do Senhor, é amor e sabedoria ao mesmo tempo. Também o amor que faz a vida do homem, tanto quanto for recipiente, não é o amor separado na causa, mas é o amor no efeito, pois o amor não pode ser entendido sem sua qualidade, e a sua qualidade é a sabedoria. Tampouco pode a qualidade ou a sabedoria existir senão por seu ser, que é o amor; assim é que são um. É o mesmo em relação ao bem e ao vero. Ora, como o vero é procedente do bem, assim como a sabedoria é procedente do amor, por isso um e outro tomados ao mesmo tempo se chamam amor ou bem, porque o amor em sua forma é a sabedoria e o bem em sua forma é o vero. Da forma, e não de outra parte, existe toda qualidade. Por aí se pode ver agora que o bem não é mais bem a não ser na proporção que estiver unido ao vero, e que o vero não é mais vero a não ser na proporção que estiver unido ao seu bem.