. O bem pode ser separado do vero e o vero ser separado do bem, e quando se separam aparecem como bem e vero. Isto é porque existe para o homem a faculdade de agir, que se chama liberdade, e a faculdade de entender, que se chama racionalidade. Pelo abuso dessas faculdades é que o homem pode parecer nos externos diferente do que é nos internos. Por conseguinte, o mau pode fazer o bem e falar o vero, ou o diabo pode imitar um anjo de luz. Mas, sobre esse assunto, vide no tratado Divino Amor e Divina Sabedoria esta seqüência: a origem do mal é o abuso das faculdades que são próprias do homem e que se chamam racionalidade e liberdade (n° 264-270); essas duas faculdades existem tanto nos maus quanto nos bons (n° 425); o amor sem o casamento com a sabedoria, ou o bem sem o casamento com o vero, não pode fazer coisa alguma (n° 401); o amor nada faz senão em conjunção com a sabedoria ou o entendimento, e faz com que a sabedoria ou o entendimento seja reciprocamente conjunto (n° 410-412); a sabedoria ou o entendimento, pelo poder que lhe é dado pelo amor, pode ser elevado e perceber as coisas que são da luz do céu e recebê-las (n° 413); o amor pode ser semelhantemente elevado e receber as coisas que são do calor do céu se amar sua cônjuge, a sabedoria, nesse grau (n° 414, 415); de outro modo, o amor impede a sabedoria ou o entendimento de sua elevação, para que aja consigo (n° 416-418); o amor é purificado no entendimento se for elevado ao mesmo tempo (n° 419-421); o amor purificado pela sabedoria no entendimento se torna espiritual e celeste, mas o amor conspurcado no entendimento se torna sensual e corpóreo (n° 422-424); com a caridade, a fé e a conjunção destas dá-se o mesmo que se dá com o amor, a sabedoria e a conjunção destes (n° 427-430); o que é a caridade nos céus (n° 431);