. (vii.) O Senhor não consente que algo seja dividido; por isso, deve-se estar ou no bem e ao mesmo tempo no vero, ou no mal e ao mesmo tempo no falso. A Divina Providência do Senhor tem por fim que o homem esteja no bem e ao mesmo tempo no vero e opera principalmente para isso, pois assim o homem é o seu bem e seu amor, e também o seu vero e sua sabedoria, porquanto assim o homem é homem, pois então é imagem do Senhor. Como, porém, o homem, enquanto vive no mundo, pode estar no bem e ao mesmo tempo no falso, bem como no mal e ao mesmo tempo no vero, e mesmo estar no mal e ao mesmo tempo no bem, assim, como se fosse duplo, e como essa divisão destrói essa imagem e, assim, o homem, por isso a Divina Providência do Senhor visa em todas e cada uma de suas coisas que essa divisão não exista. E como é melhor para o homem estar no mal e ao mesmo tempo no falso do que estar no bem e ao mesmo tempo no mal, por isso o Senhor o permite, não que o queira, mas porque não pode resistir por causa do fim, que é a salvação. Que o homem possa estar no mal e ao mesmo tempo no vero, e o Senhor não possa resistir a isso por causa do fim que é a salvação, é porque o entendimento do homem pode ser elevado à luz da sabedoria e ver os veros, ou reconhecê-los quando ouve, enquanto seu amor permanece abaixo. De fato, o homem pode pelo entendimento estar no céu, mas pelo amor estar no inferno. Isso não pode ser negado ao homem, porquanto dele não podem ser tiradas as duas faculdades pelas quais ele é homem e é distinto das bestas e pelas quais unicamente ele pode ser regenerado e salvo, faculdades essas que são a racionalidade e a liberdade. Porque por elas o homem pode agir segundo a sabedoria e também agir segundo um amor que não pertence à sabedoria. E pode pela sabedoria acima ver o amor abaixo, por conseguinte, os pensamentos, as intenções, as afeições, assim, os males e falsos, como também os bens e veros da vida e de sua doutrina, sem o conhecimento e o reconhecimento dos quais em si mesmos não pode ser reformado. Acima se tratou dessas duas faculdades e na seqüência se dirá mais delas. Esta é a razão pela qual o homem pode estar no bem e ao mesmo tempo no vero, no mal e ao mesmo tempo no falso, como também nas alternações destes.