. (ii.) Pela criação, o homem é tal que pode ser conjunto cada vez mais de perto ao Senhor. Isto se pode ver pelo que foi mostrado no tratado Divino Amor e Divina Sabedoria, na Terceira Parte, sobre os graus, especificamente por isto que está ali: pela criação, há três graus discretos de altura no homem (n° 230-235); esses três graus estão em cada homem desde o nascimento e, conforme são abertos, o homem está no Senhor e o Senhor está nele (n° 236-241); todas as perfeições crescem e aumentam com os graus e segundo os graus (n° 199-204); pelo que se pode ver que, por criação, o homem é tal que, pelos graus, pode ser conjunto cada vez mais de perto ao Senhor.
[2] Mas, acima de tudo, cumpre saber o que são os graus e que eles são de dois gêneros: graus discretos ou de altura e graus contínuos ou de largura, e qual é a diferença entre eles; e, também, que em cada homem, pela criação e, assim, de nascimento, existem três graus discretos ou de altura; que o homem, quando nasce, entra no primeiro grau, que se chama natural, e por esse grau nele pode aumentar por continuidade até se tornar racional; entra no segundo grau, que se chama espiritual, se viver segundo as leis da ordem espiritual, que são os Divinos veros; e também pode entrar no terceiro grau, que se chama celeste, se viver segundo as leis da ordem celeste, que são os Divinos bens.
[3] Esses graus são abertos pelo Senhor no homem segundo a sua vida, o que acontece realmente no mundo, mas não de modo perceptível e sensível antes de ele sair do mundo. E conforme são abertos e em seguida aperfeiçoados, o homem é conjunto cada vez mais de perto ao Senhor. Essa conjunção por aproximação pode ser aumentada eternamente e é mesmo aumentada nos anjos. Todavia, o anjo não pode chegar ao primeiro grau de amor e sabedoria do Senhor nem atingir esse grau, porque o Senhor é infinito e o anjo é finito, e não existe relação entre o infinito e o finito. Visto que ninguém pode compreender o estado do homem nem o estado de sua elevação e aproximação do Senhor se não souber o que são esses graus, por isso tratou-se especificamente deles no tratado Divino Amor e Divina Sabedoria, do n° 173 ao 281, que devem ser examinados.
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