. Nenhum homem que está nos prazeres das concupiscências do mal pode saber coisa alguma das afeições do bem em que está o céu angélico, porque esses prazeres são ali inteiramente opostos nos internos e, assim, interiormente nos externos, embora na superfície pouco difiram. Com efeito, todo amor tem seus prazeres, mesmo o amor do mal naqueles que estão nas concupiscências, como o amor de adulterar, de fazer vingança, de fraudar, de roubar, de cometer sevícias, e mesmo, nos piores, de blasfemar as coisas santas da igreja e de espalhar seu veneno contra Deus. O manancial desses prazeres é o amor de dominar pelo amor de si. Esses prazeres provêm das concupiscências que obsedam os interiores da mente, deles dimanam no corpo e aí excitam imundícies que estimulam as fibras. Assim, do prazer da mente segundo as concupiscências nasce o prazer do corpo. [2] Quais são e em que consistem as imundícies que estimulam as fibras do corpo, é dado saber a cada um após a morte, no mundo espiritual. São, em geral, coisas cadaverosas, excrementícias, estercorosas, fedorentas e urinosas, pois seus infernos são abundantes em tais imundícies. Que elas sejam correspondências, vê-se no tratado Divino Amor e Divina Sabedoria (n° 422-424). Mas esses prazeres impuros se mudam em horrores depois de terem entrado no inferno. Estas coisas foram ditas para que se possa entender o que é e em que consiste [a felicidade] do céu, de que se tratará no que agora se segue, pois cada coisa é conhecida por seu oposto.