. As bem-aventuranças, os regozijos, os prazeres e os encantos, em suma, as felicidades do céu, não podem ser descritos por palavras, mas podem no céu ser percebidos pelo sentido, pois o que é percebido pelo sentido não pode ser descrito, porque não cai nas idéias do pensamento nem, por conseguinte, nas palavras do entendimento. De fato, o entendimento vê somente, e vê as coisas que são da sabedoria ou do vero, mas não as que são do amor ou do bem. Por isso essas felicidades são inexprimíveis, ainda que subam com a sabedoria em grau semelhante. Suas variedades são infinitas e cada uma delas é inefável. Isto eu ouvi dizer e percebi.
[2] Mas essas felicidades entram à medida que o homem se distancia das concupiscências do amor do mal e do falso como se fosse por si mesmo, ainda que o seja pelo Senhor, porquanto essas felicidades são as felicidades das afeições do bem e do vero, e elas são opostas àquelas concupiscências do amor do mal e do falso. As felicidades das afeições do bem e do vero começam do Senhor, assim, do íntimo, e dali se difundem nos inferiores até os últimos e desse modo enchem o anjo e o fazem com que seja todo delícia, por assim dizer. Tais felicidades, com infinitas variedades, estão em cada afeição do bem e do vero, principalmente na afeição da sabedoria.
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