. Existe o livre infernal e o livre celeste. É do livre infernal pensar e querer o mal, e, tanto quanto as leis civis não restrinjam, falar e fazer o mal. Mas é do livre celeste pensar e querer o bem e, tanto quanto houver oportunidade, falar e fazer o bem. Tudo o que pelo livre o homem pensa, quer, fala e faz, isso ele percebe como se fosse seu, pois todo livre para cada um vem de seu amor. Por isso, os que estão no amor do mal não percebem de outro modo senão que o livre infernal é o livre mesmo, enquanto os que estão no amor do bem percebem que o livre celeste é o livre mesmo. Conseqüentemente, um e outro crêem que o oposto é a servidão. Mas ninguém pode negar que um ou outro seja o livre, pois não podem dois livres em si opostos serem em si livres. Ademais, não se pode negar que ser conduzido pelo bem seja o livre, e ser conduzido pelo mal seja a servidão, pois ser conduzido pelo bem é sê-lo pelo Senhor, e ser conduzido pelo mal é sê-lo pelo diabo. Ora, como tudo o que o homem faz pelo livre parece lhe pertencer, pois é de seu amor, e fazer por seu amor é fazer pelo livre, como acima se disse, segue-se que a conjunção com o Senhor faz com que o homem pareça livre e, assim, que se pertence. E quanto mais de perto é a conjunção com o Senhor, mais livre ele é e mais se pertence. Que lhe pareça distintamente que se pertence é porque o Divino Amor é tal que quer que aquilo que é seu seja do outro, portanto, do homem e do anjo. Todo amor espiritual é assim, e ainda mais o Divino Amor. Por causa disso, o Senhor a ninguém constrange, pois tudo aquilo a que alguém é constrangido não lhe parece pertencer, e o que não parece lhe pertencer não pode se tornar de seu amor nem, por conseguinte, ser-lhe apropriado e ser como se fosse seu. Por isso o homem é continuamente conduzido no livre pelo Senhor e também no livre é reformado e regenerado. Mas muitas coisas serão ditas a este respeito na seqüência, e algumas também podem ser vistas acima (n° 4).
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