. Visto que tanto o homem mau como o bom têm racionalidade e liberdade, por isso tanto o mau como o bom podem entender o vero e fazer o bem. Mas o mau não pode fazê-lo pelo livre segundo a razão, enquanto o bom o pode, porque o mau está no prazer do amor do mal, mas o bom está no prazer do amor do bem. Por isso o vero que o homem mau entende e o bem que ele faz não lhe são apropriados, mas ao homem bom são apropriados. E sem a apropriação como se fosse seu não há reforma nem regeneração. Com efeito, os males com os falsos estão nos maus como no centro, enquanto os bens com os veros estão nas periferias, mas, com os bons, os bens e veros estão no centro, enquanto os males com os falsos estão nas periferias. E, tanto uns como outros, os que estão no centro se espalham até às periferias, como o calor de um fogo no centro e como o frio de um gelo que está no centro. Assim, os bens nas periferias dos maus são contaminados pelos males do centro, e os males nas periferias nos bons são abrandados pelos bens do centro. Esta é a razão por que os males do regenerado não o condenam, e os bens do não regenerado não o salvam.