. Foi dito anteriormente que o homem tem a faculdade de querer, que se chama liberdade, e a faculdade de entender, que se chama racionalidade, mas cumpre saber muito bem que essas faculdades do homem são como ínsitas, pois há nelas o humano mesmo. Mas, como há pouco se disse, uma coisa é agir pelo livre segundo a razão e outra coisa é agir pelo livre mesmo segundo a razão mesma. Pelo livre mesmo segundo a razão mesma agem somente aqueles que se deixam regenerar pelo Senhor, mas os outros agem pelo livre segundo o pensamento, que fazem estar no lugar da razão. Entretanto, todo homem, a menos que tenha nascido idiota ou extremamente estúpido, pode vir à razão mesma e, por ela, ao livre mesmo. Que, porém, não venha, há muitas causas que serão desvendadas na seqüência. Aqui se dirá somente daqueles em quem não podem existir o livre mesmo ou a liberdade mesma e, ao mesmo tempo, a razão mesma ou a racionalidade mesma, e daqueles em quem dificilmente elas podem existir. [2] A liberdade mesma e a racionalidade mesma não podem existir nos idiotas por nascimento nem nos que depois se tornaram idiotas, enquanto forem idiotas. A liberdade mesma e a racionalidade mesma não podem existir nos estúpidos e obtusos de nascença nem em alguns que assim se tornaram pelo torpor do ócio, ou por uma doença física que perverteu ou fechou inteiramente os interiores da mente, ou pelo amor de uma vida bestial. [3] A liberdade mesma e a racionalidade mesma não podem existir naqueles que, no mundo cristão, negam inteiramente o Divino do Senhor e a santidade da Palavra e mantêm em si a negação confirmada até o fim da vida, pois isso é o que se entende pelo pecado contra o Espírito Santo, que não pode ser remido neste século nem no futuro (Mt. 12:31, 21). [4] A liberdade mesma e a racionalidade mesma não podem existir naqueles que atribuem tudo à natureza e nada ao Divino, e, por meio de raciocínios pelas coisas visíveis, fizeram disso a sua fé, pois esses são ateus. [5] A liberdade mesma e a racionalidade mesma não podem existir naqueles que muito se confirmaram nos falso da religião, visto que o confirmador do falso é o negador do vero, mas podem existir naqueles que não se confirmaram nos falsos, em qualquer religião que estejam. Sobre isso, vide as coisas referidas na Doutrina da Nova Jerusalém sobre a Escritura Santa (n° 91-97). [6] As crianças e os meninos não podem estar na liberdade mesma e na racionalidade mesma antes da idade da adolescência. Porquanto os interiores da mente no homem se abrem gradativamente, eles são, durante esse tempo, como sementes num fruto ainda não maduro, as quais não podem germinar no húmus.